Marginalizante. Coisa de analfabeto. Incentivador de violência juvenil. Literatura de baixa qualidade. Os quadrinhos receberam vários títulos depreciativos desde quando veio ao mundo mais ou menos ali pelo meio do século XIX. Hoje, ainda longe de gozar de um espaço privilegiado culturalmente, quadrinhos não são mais vistos como o grande inimigo da sociedade (papel de protagonismo que deixou para outros frutos da contemporaneidade, como os videogames e a Internet). Mas como se deu essa mudança?
Conversamos com a mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), Beatriz Sequeira de Carvalho, autora da dissertação O Processo de Legitimação Cultural das Histórias em Quadrinhos. Como exatamente os quadrinhos se tornaram alvo principal das críticas da indústria de massa no começo do século XX? Qual a importância da década de 1960 nessa linha do tempo? Quais resquícios desse pensamento do que é cultura ou não ainda sobrevivem até os dias de hoje? Ouça agora no HQ Sem Roteiro Podcast dessa semana!
Links interessantes:
- Dissertação O Processo de Legitimação Cultural das Histórias em Quadrinhos no bando de teses da USP;
- Podcasts do HQSR citados no programa: Estudando Quadrinhos no Mestrado, O Ano de 1986;
- Facebook da Beatriz Sequeira.
Músicas desse programa:
- Tokyo Drift (Fast and Furious) - Teriyaki Boyz (link pro Spotify)
- Soy Yo - Bomba Estereo (link pro Spotify)
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Logo no primeiro episódio que ouço já percebi que o podcast é demais. Adorei a conversa.
Cultura de massa + Maus = discussão maravilhosa S2 E a cada dia me arrependo de ainda não ter lido esse quadrinho. Hahahaha
Obrigado pela audiência, Auryo, e espero que você ouça nossos outros programas. Se você gostou desse papo, acredito que deva existir diversos outros que possam te interessar. 😉
No mais, corre atrás de ler Maus. É uma obra indispensável, não somente pra quem gosta de quadrinhos. É uma leitura que transcende. 😉
Olha, Auryo, como sempre digo pras pessoas, Maus é tipo Dom Casmurro: é daqueles que tem que ler antes de morrer 😛 Abraços e obrigada!
Em determinado momento identifica-se que “Graphic Novel” é uma ferramenta editorial. Dentre as funções dessa ferramenta está a de destacá-la (seja por qualidade, “seriedade”, etc.) dos demais quadrinhos para atrair um julgamento específico, visto que o quadrinho comum é desvalorizado. Isto não se deve, principalmente, pela omissão dos autores frente aos rótulos impostos (ou autoimpostos, como é o caso de alguns…) à sua obra (Spiegelman, como relatado no episódio, lutou para que Maus fosse reconhecido como quadrinho, “IT’S A FUCKING COMIC!”) e a busca por esse recorte do universo de quadrinhos “comuns”? Me interessaria na resposta da entrevistada para essa pergunta.
Olá, Egberto! Tudo bem? Primeiramente, obrigada por ouvir o podcast e pelo interesse 🙂 Olha, não posso te afirmar que os autores de fato pensam dessa forma, pois não cheguei a entrevistar nenhum para a pesquisa. Mas sim, acredito que haja um grande interesse em publicar uma obra que seja classificada como uma graphic novel e, por isso, o autor acabe inserido nessa lógica (com ou sem intenção) . Isso porque, como defendo na dissertação, Graphic Novel é um suporte editorial e seu formato é o livro. O livro, em consequência, é um formato associado a um outro campo de produção já legitimado: a literatura. Por isso, publicar uma obra em formato de livro, com o rótulo de graphic novel (e tudo que vem associado a ele) daria sim mais legitimidade ao artista em questão, pois sua obra estaria ligada a outra forma de produção que possui muito mais prestígio do que os quadrinhos “comuns”. Existe, dessa forma, um certo “fetiche do livro”. Se me permite, sugiro a leitura do item 2.3 da minha dissertação (tem o link aqui na página), no qual discuto essa questão mais detalhadamente. Espero que consiga responder sua pergunta. Abraços!
Comentando sobre o IP 155, eu escrevi: “Este episódio – junto com o de David Bowie, SF do final de 2015, IradELAS 140 sobre personagens femininos e HQSR Processo de legitimação – passa a integrar a minha lista de (inúmeros) motivos auditivos para gostar do Iradex.”
Imaginar que ainda hoje, mesmo depois dos 40 e de continuar lendo quadrinhos, ver no olho das pessoas aquele brilho de dúvida – ele ainda lê revistinha? – é estranho mesmo. É bom ver que aos poucos, com a divulgação e estudos sérios como o de Beatriz e o de vários outros – inclusive o seu – os quadrinhos irão ser o que realmente são, uma maneira única de contar histórias, de passar mensagens e de se divertir.
Adoraria poder ouvir mais papos com Beatriz. Que lucidez e que clareza nas explicações. Será ótimo poder ouvir um papo sobre Maus com você e com ela, PJ. (Quem sabe você convida outros amantes da obra também? :D)
Obrigado, muito obrigado mesmo.
Puxa, Mackenzie, MUITO obrigada pelas palavras! É exatamente isso que eu espero: que com esse reconhecimento, os quadrinhos cresçam e se diversifiquem cada vez mais e que todos enxerguem os quadrinhos como um produto cultural legítimo e com capacidade de disseminar valores… além de divertir, é claro! E quem sabe a gente não faz mesmo esse papo sobre Maus? Seria incrível 😀 Abraços!