A sustentável leveza do ser | Iradex

A sustentável leveza do ser

Se você olhar bem, de tudo pode-se tirar uma lição. Digo tudo, mesmo!

Todos os dias estamos cercados - quando não somos os próprios atores - de atos deseducados, prepotentes, arrogantes, grosseiros, e também doces ou gentis e empáticos.

Hoje, mais uma vez, recebi uma lição, por tantas vezes repetida, de que levar a vida com leveza é a melhor das formas. Conto.

Na cidade onde moro existem ciclovias bem sinalizadas, construidas em sua maioria ao lado de passeios para pedestres, e este é o cenário do fato que narro. Atravessei a faixa de pedestres e virei à direita no passeio. Alguns passos dados, olhei pra esquerda e vi que haviam dois casais caminhando, dois a dois, de mãos dadas na ciclovia, impedindo a passagens de ciclistas que trafegavam nos dois sentidos. Logo atrás, na mesma velocidade do passeio dos namorados, um ciclista tentava se equilibrar em sua bicicleta. Ele, o ciclista, um disposto senhor de seus 70 anos, atlético, cabelos inteiramente brancos, um capacetinho e um meio sorriso no rosto.

Ele dava meia pedalada e parava, e a corrente da bicicleta fazia aquele barulhinho característico, e os casais sequer perceberam que estavam obstruindo a passagem do ciclista, na via que fora construída para ele, somente porque no passeio não dá pra andar de casalzinho. Eu entendi o ciclista. Ou achei que o havia entendido. Quinze passos depois do meu entendimento, esperei que ele olhasse pra mim e, com um sorriso solidário, falei:

- Aí fica complicado, né?

Ele sorriu de volta e, muito gentil, respondeu:

- Fica fácil! O exercício é o mesmo, o que importa é a vista!

Sorri um sorriso de canto de boca. Os casais ouviram pessoas conversando, olharam pra trás e abriram caminho para aquele ciclista feliz que pisou mais forte no pedal e me deixou lá no passeio, digerindo mais um exemplo maravilhoso a ser seguido.

Sorri de novo quando me encontrei perguntando se ele havia dito "o que importa é a vista" ou "o que importa é a vida".

Seja qual tiver sido a palavra, ambas fazem sentido.

Vida que segue. E que seja leve.

8 comments

  1. Adah Conti 15 fevereiro, 2016 at 14:24 Responder

    Excelente Emilia! Essas lições diárias, recebidas sem arroubos de grandiosidade filosófica é que são o sentido da vida. Quanto mais velha eu fico, mais certeza disto eu tenho.

  2. Arthur Zopellaro 24 fevereiro, 2016 at 23:09 Responder

    Ótima reflexão!

    Gosto demais de conversar com “estranhos” pois sempre acabo levando um ensinamento novo comigo. Espero um dia ter um impacto positivo assim na vida de alguém 🙂

    “Vida que segue. E que seja leve.”
    Obrigado!

    • Emilia Braga 6 abril, 2016 at 22:20 Responder

      Muito bom, né? Em filas, quando aqueles velhinhos vem puxar assunto, eu sempre converso.
      Por mais que eles tenham pensamentos mais conservadores, eles viveram muito, e sempre tem uma boa história pra contar. 🙂

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