Floresta Maldita (The Forest, 2016) | Resenha

por Alex Nunes

Este filme de terror estreia nos cinemas nacionais no dia 17 de março e tem Natalie Dormer como protagonista, nos papéis de Sara e de sua gêmea idêntica Jess.

A trama se desenvolve por conta do desaparecimento de Jess na lendária floresta de Aokigahara, situada na base do Monte Fuji, no Japão. O problema se agrava pelo fato do lugar ser conhecido como “floresta dos suicidas” e Jess ser a irmã causadora de vários problemas na família.

A ligação entre as gêmeas é além do normal,  chegando ao ponto de Sara ter certeza que a irmã está viva e precisa de sua ajuda, fazendo-a viajar dos Estados Unidos até o Japão para encontrar a irmã.

Mesmo sendo avisada por todos na cidade sobre os perigos e crenças sobrenaturais da floresta, ela decide seguir em sua busca. Esses avisos são a base que o roteiro precisa para que o filme possa ir em qualquer direção, sem que haja necessidades de maiores explicações. Dessa forma, por mais que o expectador busque fazer suas próprias teorias, qualquer coisa que acontecer na floresta será facilmente justificada.

Relevando o fato que existe uma floresta onde as pessoas vão pra cometer suicídio e as autoridades respeitam isso, o filme pode ser um bom entretenimento para quem gosta do gênero. E pra quem está acostumado ver a Natalie Dormer como a Margaery em Game of Thrones, é uma oportunidade de vê-la atuando em outro papel.

Apesar de não ser surpreendente, o filme tem um final não tão previsível. Juntando isso com o som do filme, alguns sustos estão garantidos. Você até consegue perceber quando o susto vai acontecer, mas mesmo assim você se assusta.

Vale uma nota 2.8 de 5.

Assistimos ao filme a convite da Diamond Films


Ficha Técnica

Título Original: The Forest

País: EUA

Gênero: Terror

Duração: 93 min

Diretor: Jason Zada

Elenco: Natalie Dormer, Eoin Macken, Stephanie Vogt

Presságios de um Crime (2015), do mesmo diretor de Dois Coelhos

pressagios-de-um-crime_t57097_jpg_290x478_upscale_q90Na manhã desta terça-feira (16/02) tive o prazer de participar da primeira cabine de imprensa da minha vida, o filme, uma grande promessa, pois Presságios de um Crime (Solace) é o segundo longa metragem de Afonso Poyart, diretor que causou furor com seu filme de estreia, o nacional Dois Coelhos.

Não espere encontrar aqui toda a vitalidade e inovação de Dois Coelhos, não temos nem o ritmo de videoclipe nem o espírito de videogame. Ouvindo o diretor falar do trabalho antes da sessão e assistindo o filme percebemos que não se trata de um trabalho feito com paixão, não é um filme autoral, mas um trabalho profissional realizando por um diretor que busca criar uma carreira consistente no mercado internacional.

Isto não significa que o filme não tem personalidade, vemos o olhar diferenciado do diretor ao longo da obra, a escolha dos enquadramentos fogem do comum, principalmente no primeiro ato do filme onde não é raro vermos a ação através de um espelho quebrado ou atrás do vidro de uma janela. Além disso, em determinados pontos da trama são expostas várias realidades possíveis se sobrepondo e reconhecemos a estética que o diretor vem construindo desde seu primeiro filme.

O principal problema do filme pra mim é a forma como ele é vendido, em toda a ação promocional o mesmo é apresentado como um thriller de ação, como um filme de detetive mediúnico numa disputa de poder sobrenatural com um vilão capaz. O duelo aqui é ideológico e não um jogo de gato e rato. O título original do filme Solace (consolo em inglês) também indica o real tema da trama, na qual somos questionados sobre a legitimidade da abreviação do sofrimento, sobre o valor ético da eutanásia e sobre a quem deve cair o peso desta escolha.

Neste ponto de vista não temos um vencedor e um perdedor, mas escolhas que podem se alterar a qualquer momento.

Destaque para o elenco do filme muito bem escalado e afinado; em especial o trabalho do Jeffrey Dean Morgan, que conseguiu uma boa interpretação num personagem que é ao mesmo tempo mentor e pupilo do protagonista Anthony Hopkins.

É um filme competente, sem nenhum potencial para se tornar um clássico. É um bom passatempo bom e agradará aqueles que o encontrar por acaso.

Assistimos ao filme a convite da Diamond Films


Ficha do Filme

Título original: Solace

Título nacional: Presságios de um Crime

Ano de produção: 2015

Lançamento: 25 de fevereiro de 2016 (1h42min)

Gênero: Suspense, Fantasia, Policial

Direção: Afonso Poyart

Roteiro: Ted Griffin, Sean Bailey

Elenco principal: Anthony Hopkins, Jeffrey Dean Morgan, Abbie Cornish

Nacionalidade: EUA

Guerra Mundial Z (World War Z, 2013) | Resenha

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Dirigido por: Marc Foster

Roteiro por: Matthew Michael Carnahan e Drew Goddard, baseado no livro de Max Brooks

Com: Brad Pitt, Mireille Enos, Elyes Gabel

Cansado do tema zumbi, Guerra Mundial Z não me causou tanto pretensão. A chave do negócio geralmente é essa falta de expectativa. Não deu outra. Vi muito além de um simples “filme de zumbi”. Vi videogame, vi novos conceitos e, melhor, eu vi o mundo que quase nunca é mostrado nesse tipo de apocalipse. Chega de grupinho de sobreviventes trancafiados.

O primeiro recado de Guerra Mundial Z vem logo no início, quando o personagem principal vivido por Brad Pitt explica a necessidade de estar sempre em movimento, pois os que ficam parados são os primeiros a morrer. Um tapa na cara do conservadorismo das produções do gênero. Não tem grupo de sobreviventes, não tem confinamento, não tem o suspense barato de qual será o próximo do grupo a se transformar em um zumbi e ser morto pelos colegas. Dessas produções, o cinema, a TV e os livros estão cheios. Agora é a vez de falar sobre o cenário, sobre uma missão no meio disso tudo e, muito certeiramente, sobre encontrar uma solução para isso tudo. Sobreviver? Muitos já fizeram. A pegada aqui é outra: é resolver! Só por isso, já há um grande diferencial de Guerra Mundial Z para com seus concorrentes. Afinal, “se puder lutar, lute”.

Para dar o ponto correto da imersão, o diretor Marc Foster faz a boa aposta de levar os games para o cinema. Não no sentido de adaptação, mas no sentido de linguagem visual. Fotografia, câmeras e até condução da história… tudo fôra bebido da fonte dos videogames. Fica fácil perceber tal opção visual, quando, por exemplo, um grupo chega na Coréia do Sul. A traseira do avião se abre e o grupo se dispersa aos poucos. A câmera, inicialmente, acompanha o personagem principal, depois nos mostra outro ângulo para nos revelar o cenário e como deveremos traçar nosso plano por completo. Então, volta para uma visão em terceira pessoa de Brad Pitt acompanhada praticamente através dos ombros. É como se estivéssemos iniciando uma fase ou uma missão nova. Alí somos Brad Pitt, por mais que, infelizmente, aqui não o controlemos.

Para criar, e manter, a ação, Foster apostou em seu ritmo frenético baseado no imediatismo. Tudo tem que ser resolvido agora. Sensação parecida com seu outro filme, o 007 Quantum of Solace, que só pára quando realmente termina. O ritmo só foi prejudicado mais para o final, quando se fez necessário explicar o desenrolar do roteiro. A amornada segue até o final da trama, na tentativa de deixar problemas em aberto para uma provável continuação.

A semelhança com os games não pára na cena que descrevi anteriormente. O roteiro é todo baseado nisso. Gerry Lane, o protagonista, tem que resolver algo e deve ir sempre de um ponto A até um ponto B, percurso que gera vários outros problemas no seu decorrer. Nos games chamamos essa missão principal de quest, e esses problemas no caminho de side quests. Todo o roteiro se escora nessa premissa do começo ao fim e sempre deixa bem claro para o espectador o que está acontecendo e o que deverá acontecer em seguida. Nada de confusão mental. A gamificação do filme é clara desde o início. Até Gerry e sua família atinjir o helicóptero, estamos praticamente vivendo um tutorial ao passo que aprendemos sobre quem é nosso personagem principal, quais as habilidades dele e que tipo de desafios vamos enfrentar.

Existem problemas. Sempre existem. Um herói inabalável e o ponto de virada ser quase óbvio incomoda um pouco. Afinal, estamos em um apocalipse, surpreende tanta confiança de Gerry. Todavia, já que tudo parece ser um grande jogo, se nós somos Gerry, como podemos ser abaláveis? Afinal, estamos controlando um avatar da perfeição. E nisso, Guerra Mundial Z pode até calar um pouco as criticas a esse quesito óbvio e heróico.

Guerra Mundial Z tem bem mais acertos do que erros. Não será uma unanimidade, pois o título meio que joga fora o que cultuamos das produções de zumbi. Não temos aqui nem aquele lenga lenga do “amigo infectado que ninguém consegue matar”. Na verdade, não tem lenga lenga algum. Por isso, visualizo Guerra Mundial Z como um filme desconexo dos clichês e destacado dos demais do gênero, inclusive dos medalhões. Vale ser jogado… digo, assistido.

[Resenha] 007 – Operação Skyfall (2012)

Quando saí do cinema, twittei: “O melhor 007 da minha geração”. Não abro mão da afirmação.

Cada 007 marca uma geração que pode ser identificada pelos atores contratados para protagonizar os filmes. A primeira geração é marcada por Sean Connery e Roger Moore. A segunda geração por Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig. Assim sendo, a primeira geração tem com certeza um filme mais marcante para o seu pai. Provavelmente, esse filme está totalmente fora de contexto diante dos tempos atuais.

Os filmes do espião mais famoso do mundo são responsáveis (além de faturar alto, lógico) por apresentarem o mundo e as discussões globais de determinadas épocas. Não só isso, apresenta moda, conceitos tecnológicos, modo de falar, papel da mulher na sociedade etc. O que funcionou muito bem para meu pai ou meu avô na primeira geração, não funciona tão bem se visto hoje em dia. O filme em si funciona, mas a discussão talvez não. Assim sendo, Operação Skyfall, protagonizado por Daniel Craig e dirigido por Sam Mendes, representa os 007’s da minha geração como sendo o melhor.

De trás pra frente

Após vários problemas no MI6, James Bond se vê em uma discussão de passado e presente. Aqui, o antes inabalável herói é taxado como retrógrado, ultrapassado, antiquado. Menos por M, vivida mais uma vez por Judi Dench.

O filme traça a discussão que os novos espectadores podem estar tendo: “Isso é mentiroso demais!”, “Pra que caneta explosiva?”. Com Daniel Craig assumindo o papel principal, 007 começou a se modernizar. De um Casino Royale que inicia com uma cena de Parkour e passando por um Quantum of Solace – os dois primeiros filmes da era Daniel Craig.

A modernização até vem, mas não vem para tudo e para todos. James Bond deixa claro que todos ao seu redor podem se modernizar, e até o fazem. As coisas, porém, vão ainda ser resolvidas do seu jeito. Do jeito Bond. Do jeito antiquado. Um antiquado que dá certo. Assim sendo, temos em Operação Skyfall o limiar perfeito entre o clássico e contemporâneo.

Homenagens e mitologia

O filme de 2012 marca a franquia completa com o enriquecimento do universo conhecido de 007, ou melhor, do personagem James Bond. Desde onde nasceu, como foi garimpado como talento, até sobre sua família. A partir dessas apresentações, o filme se torna automaticamente um marco na cronologia dos 007’s.

Operação Skyfall vai além. De roteiro dotado de meta linguagem, o título faz um passeio por quase todos os filmes e pelos momentos marcantes dos melhores longas da franquia. Tem referência até ao quase esquecido 007 – Na Mira dos Assassinos, pois um alvo em movimento é mais difícil de acertar.

A visão de mundo desse novo filme também é interessante. Reduziram o arsenal de Bond. Reduziram o tamanho dos gadgets. Reduzir… Essa é a grande discussão tecnologia da atualidade. Época de iPhone, época das telas de 4 ou 7 polegadas. Época do portátil. Do vai-e-vem dos jovens com os aparelhos em suas mãos a proferir que estão com o mundo em suas mãos – ora o mundo.

Somos apresentados a essa discussão tecnológica de forma bem sutil. Nada de colocar o 007 resolvendo tudo pelo smartphone. Pelo contrário, isso não combina com ele. A sutileza para demonstrar isso por toda a franquia renderia ótimos trabalhos acadêmicos (fica a dica).

Ou seja…

Skyfall tem um herói humano. Um James Bond ferido. Sofrido. Pensador. James Bond que se deixa sair da linha. Um James Bond especial diante dos outros humanos, mas, ainda assim, apenas um humano. Foi por se tornar mais próximo de nós, mais palpável e tão agregado às tendências que 007 – Operação Skyfall se tornou o melhor 007 da minha geração.

Avaliação:

[Resenha] Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Esse texto não contém spoiler

Expectativa é um mal que deve ser vencido. Há duas formas de fazer isso: lutar contra ou o resultado compensar. Em Batman não consegui vencê-la. Que bom! O filme fez valer tanto sofrimento.

Batman não é mais o Cavaleiro de Gotham, é quase um criminoso, foragido. “Aquele crápula!”. Isso nos mostra o maior aprofundamento no personagem jamais visto durante a trilogia, bem como da história e as motivações do outrora herói de uma cidade. O Cavaleiro das Trevas Ressurge consegue atualizar Batman Begins, demonstrando cada vez mais motivos para Bruce Wayne sempre apostar em sua máscara; sua criação.

O impacto da cena inicial é logo amornada por uma condução estranha de Christopher Nolan. A perfeição do diretor não é vista no primeiro ato do filme. A trilha acompanha essa condução confusa e demora a aparecer como deveria. Depois de muito pensar, cheguei a uma conclusão: fomos enganados por Nolan, ele apenas estava nos mostrando a metáfora de um Batman quebrado e defeituoso em um filme também quebrado e defeituoso. Quando Bruce volta a vestir o preto e decide mais uma vez ser a solução de Gotham, a direção reajusta e a trilha aparece. Tudo melhora.

A partir desse segundo ato, Batman passa de filme para ópera. Hans Zimmer é quem diz: agora você irá sofrer, agora você irá sentir pena e agora você irá vibrar. O compositor recoloca Batman no local de onde ele nunca deveria ter saído. Uma obra. Uma maravilha. A trilha sonora tem alma.

Além do destaque para Zimmer, trago também Michael Caine. Seu Alfred é importantíssimo para a trama e para as metáfora do diretor. Ele atualiza cenas e falas já vistas e ditas nos outros dois filmes. O personagem também se mostra muito importante ao final, quando Nolan precisa nos levar para um lado totalmente oposto do que estávamos indo. O motivo do melhor ator do elenco ter sido apenas um mordomo para olhos leigos e nus não é por acaso. Alfred é tão importante, ou mais, do que o próprio Homem-Morcego.

O final da trama garante pequenas reflexões baseadas em boas surpresas. Nolan soube arranjar bem os elementos que ele e David S. Goyer criaram em quase três horas de filme. Elementos esses retirados majoritariamente dos títulos O Longo Dia das Bruxas e de A Queda do Morcego.

Nolan não erra e quando o faz é de propósito. Batman é reflexo de seu diretor: perfeccionista, inteligente e surpreendente. Se não é perfeito, beira.

Nota