Assassin’s Creed: Primeiras Impressões do Filme

Saiu o trailer de Assassin’s Creed – O Filme, e o PH já correu para dar algumas primeiras impressões.

Saiba se vão usar os personagens dos games, como será feita a “entrada” no passado e o que o filme precisará fazer como obrigação! Será que o PH gostou da trilha sonora do game? Corre, assiste o trailer e depois o vídeo, ou vice-versa.

Trailer de Assassin’s Creed – O Filme

+INFO

Direção: Justin Kurzel

Elenco: Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jeremy Irons

Gêneros Ação, Ficção científica

Estréia: 05/01/2017 (Brasil) – 21/12/2016 (EUA)

Porque gostar de 007 e não de James Bond

Há algumas semanas, fui convidado pelo pessoal do Novo Fã Podcast para participar da sua edição nº 007, onde falaríamos dos livros que originaram o agente secreto mais famoso da cultura pop: Bond, James Bond.

Mesmo com o tempo meio apertado, resolvi aceitar pelo fato de que teria a oportunidade de revisitar histórias e personagens que povoaram minhas tardes adolescentes. Assim como a ficção científica, a espionagem era um tema recorrente das minhas leituras juvenis, e foi através de Ian Fleming e seus 11 livros que me iniciei nesse gênero pelo qual sou apaixonado até hoje.

Então foi com empolgação que comecei minha mini maratona rumo ao passado.

Goldfinger

Como no podcast cada participante iria indicar um livro específico, iniciei minha jornada logicamente pelo livro que me coube: Goldfinger.

Capa_goldfinger_007.inddAlém de gostar muito do filme, escolhi falar desse livro por lembrar que havia sido também o que eu mais gostara de ler quinze anos atrás, principalmente por ser mais longo que os outros, com muitas reviravoltas.

O enredo gira em torno da perseguição a um contrabandista internacional de ouro, que todos sabem ter negócios escusos, mas que até então não cometera nenhum erro que permitisse a sua captura. Passando por Miami e por boa parte da Europa, essa é uma das mais famosas aventuras de 007, imortalizada no cinema pela cena da garota coberta de ouro.

Li a primeira parte do livro com um sorriso nos lábios. Encontrei exatamente tudo que lembrava ter me cativado da primeira vez que o li: a intricada teia de espionagem que se formou no mundo durante a Guerra Fria; o agente torturado pelas ações do passado e pelo fardo de carregar o 00 (a licença para matar); o vilão que se sente acima da lei e dos Estados.

Mas, começando a segunda parte, o sorriso desapareceu.

Como você deve saber, em toda aventura de 007 existe sempre uma Bond Girl. Em Goldfinger, no entanto, James Bond se envolve não com uma, mas com três garotas, uma em cada parte do livro. Eu já sabia que ia encontrar um James Bond sedutor e desapaixonado, que tenta não se envolver demais. É isso o que vemos nos filmes, e é meio que a característica marcante do personagem, seja ele interpretado por Sean Connery ou Daniel Craig. O que eu realmente não estava preparado para encontrar era um Bond extremamente machista, beirando a misoginia.

tillyIsso se mostrou quando Bond encontra a segunda moça de sua jornada, Tilly Soames, que por coincidência também está atrás de Goldfinger. O agente tem verdadeiras explosões internas de raiva ao ter seus planos frustrados pela inexperiência da jovem e por esta resistir às suas investidas amorosas.

“Maldita cadelinha estúpida!”

Ler isso me chocou profundamente, porque eu nunca imaginava encontrar isso ali. E eu já tinho lido o livro! Como eu não percebera isso da primeira vez? Talvez se tivesse sido apenas essa a manifestação chocante de Bond, a explicação poderia ser a de que não estava prestando atenção e acabei passando direto. Mas não foi a única.

Avançando na história, vemos um Bond demonstrando novamente ser machista, como também racista e homofóbico.

Oddjob_(Harold_Sakata)_-_ProfileO racismo de Bond se mostra quando este entra em contato com os empregados de Goldfinger, que são coreanos, principalmente o seu capanga de chapéu coco, Faz-tudo.

“…Bond pretendia continuar vivo de acordo com suas próprias condições. Entre essas condições incluía-se o fato de obrigar Faz-tudo ou qualquer outro coreano a ficar exatamente em seu lugar, que, na opinião de Bond, era bem abaixo do lugar dos macacos na hierarquia dos mamíferos.” (p. 148)

Mais à frente, ganhamos de brinde opinião de Bond sobre a homosexualidade, quando somos apresentados à terceira Bond Girl da história, Pussy Galore, que é a líder de uma gangue apenas de mulheres:

Pussy_Galore's_Pilots“Conhecia muito bem esse tipo e achava que ele, assim como seu correspondente masculino, era conseqüência direta da concessão do direito de voto às mulheres e da ‘igualdade entre os sexos’. Em resultado de cinqüenta anos de emancipação, as qualidades femininas estavam-se extinguindo ou transferindo-se para os homens. Por toda parte havia tipos duvidosos de ambos os sexos, ainda não completamente homossexuais, mas confusos, sem saber o que eram. O resultado era um rebanho de infelizes desajustados sexuais — ocos e cheios de frustrações, as mulheres querendo dominar e os homens querendo ser mimados. Sentia pena deles, mas não tinha tempo a perder com eles.” (p. 181)

A duras penas terminei o livro, e ao fim estava arrasado.

Não conseguia compreender como deixara passar isso tudo. Como é que uma das lembranças literárias que eu mais cultivava era recheada de elementos abomináveis?

Atormentado por esse questionamento, passei para o próximo da lista, querendo verificar se era um caso isolado, ou se realmente encontraria esses elementos em todas as obras de Ian Fleming.

Cassino Royale

Download-Cassino-Royale-Ian-Fleming-ePUB-mobi-pdfFoi com expectativa e apreensão que iniciei essa que é a primeira aventura de James Bond, publicada em 1952. Já o encontramos como um experiente agente do Serviço Secreto Britânico (MI6), que recebeu o posto de 00 depois de uma missão nos EUA. Seu objetivo agora é desbancar (literalmente) um agente a serviço do Smersh (Serviço de Contraespionagem Soviético) que joga num cassino no interior da França.

O enredo original difere da sua adaptação cinematográfica de 2006 (a primeira com Daniel Craig), que atualizou a missão para os tempos modernos, apesar de manter cenas clássicas como a do cassino (mudando apenas o jogo de baccarat para poker) e a da tortura na cadeira.

Vesper_Lynd_(Eva_Green)Por ser um livro mais curto que Goldfinger, infelizmente não demorei a encontrar o que temia.

Novamente, ao ser apresentado à Bond Girl da história, Vesper Lynd – uma agente da Seção S (especializada em assuntos Soviéticos) enviada à França para lhe auxiliar na missão de desbancar Le Chiffre –, Bond tem seus arroubos de machismo.

Quanto aos outros dois elementos, racismo e homofobia, não os encontrei nesse livro, talvez pelo simples fato de não haver nele personagens que despertassem tais preconceitos em Bond.

Creatura ad Creatorem

Ainda havia um terceiro livro para ler, Dr. No, mas eu não aguentei. Ao invés disso, resolvi tentar entender o porque de algo tão bizarro ter causado tanto impacto na cultura mundial ao longo do século passado, e continuar sendo um dos ícones do nosso tempo.

ian fleming

Ian Fleming

Apesar de ter trabalhado um breve período como jornalista, Ian Fleming não era escritor profissional, escrevendo seus livros apenas na última década da sua vida.

Suas histórias de espionagem eram em grande maioria baseadas em seu conhecimento interno acerca do funcionamento do Serviço de Inteligência Britânico, uma vez que fazia parte deste, tendo inclusive atuado diretamente em diversas operações durante e após a II Guerra Mundial.

Talvez por não ter sido agente de campo, Fleming transpôs para seu personagem elementos seus que ele acreditava serem dignos de reprodução em um herói.

No mesmo sentido, com as ações de Bond, Fleming também se realizava por tabela, conseguindo alcançar na ficção um destaque que não obtivera na vida real.

O fato de que seus livros venderam mais de 30 milhões de cópias durante sua vida, e quase o mesmo número apenas dois anos após sua morte, demonstram que ele era apreciado por seus contemporâneos, seja por seu estilo de escrita, pelos temas que abordava (como a supremacia britânica sobre o mundo, os efeitos da guerra e luta do bem contra o mal) ou pelas opiniões que expressava (as mesmas que achei absurdas).

O mundo durante a década de 1950 estava em transformação, principalmente com relação às mulheres. Devido à sua participação ativa no esforço de guerra e à conquista de uma série de direitos que 10 ou 20 anos antes pareceriam impensáveis, as mulheres começaram a ocupar espaços que antes eram de exclusividade dos homens. Estes, não satisfeitos, utilizaram-se de vários meios para se opor a esse avanço, de forma a retornar a seus status de privilégio anterior à guerra.

As opiniões machistas que Fleming expõe através das palavras e pensamentos de Bond são claramente reflexo desse incômodo em relação à emancipação feminina. Interessante notar que Bond se considera no direito de se relacionar com diversas mulheres sem nenhum tipo de compromisso, mas as julga quando percebe que estas tem um “passado” de vários casos, ou que já atingiram uma determinada idade sem ter contraído casamento.

Da mesma forma, por fazer parte do um dia glorioso Império Britânico, Fleming se posiciona fortemente contra as minorias étnicas e a imigração, “males” que enfrenta o Império enfrenta durante seu período de decadência.

Sobre a homossexualidade, não há nem a necessidade de se explicar mais do que o simples fato de que sua prática era considerada crime no Reino Unido. Temos casos célebres de castrações químicas submetidas como punição, como o do matemático Alan Turing (O Jogo da Imitação) ou do empresário Brian Epstein (considerado o quinto Beatle).

Assim, criador e criatura estão envoltos em liames de projeções e reflexões de seu tempo, tanto que fica complicado separar os dois e dizer quem influenciou quem.

007 x Bond

Certo, consegui compreender mais ou menos porque Fleming fez sucesso na época em que partilhava suas opiniões com as dos seus leitores. Mas eu não nasci em 1960 (e talvez você também não).

Nasci no final da década de 80, e só fui ler Fleming no início dos anos 2000. Teoricamente, eu não sou o público que Fleming visava atingir, mas ainda assim fui influenciado, pois como é que eu pude não achar estranhas essas opiniões ou simplesmente ignorá-las?

Fiquei atormentado por esse questionamento, e tenho que confessar que ainda estou, pois não encontrei resposta pra ele.

O que posso dizer é que, na mesma medida que fiquei chocado com o que encontrei em livros que adorava a 15 anos atrás, também fiquei feliz por ter identificado esses defeitos neles. Sinal de que, de alguma forma, evoluí. Seja porque mudei minhas opiniões, seja porque me atentei a problemáticas que antes não chamavam minha atenção.

Por ser fascinado por espionagem, ainda me pego admirando o universo que envolve o 007. Os apetrechos, os carros, as técnicas de comunicação, o treinamento. A figura do soldado me intriga, até porque a própria guerra é algo fascinante, e os soldados da Guerra Fria eram os espiões.

O profundo conhecimento de Fleming do modus operandi dos serviços secretos nacionais torna sua narrativa bastante crível (apesar dos feitos holywoodianos que as vezes são inseridos nas obras). Nisso ele é competente. Tanto que influenciou uma série de escritores que moram até hoje no meu coração, como Frederick Forsyth, Tom Clamcy e Robert Ludlum.

Acredito que não seja o caso de queimar os livros em praça pública, ou mesmo fazer boicote à sua comercialização. A questão é ler com a consciência de que, como falei, tanto autor quanto personagem são frutos de sua época.

As próprias adaptações cinematográficas, que começaram a ser produzidos uma década depois dos livros, atenuaram vários aspectos do personagem, sinal de que o legado era do universo e não do autor.

Você vai encontrar um 007 dentro de cada espião ou agente secreto que procurar, no cinema, na literatura, nos quadrinhos. Seja no Chacal, em Jack Ryan ou em Jason Bourne. Até na Nikita.

007 não é o problema. O problema é James Bond.

Ataque ao Prédio (Attack the Block, 2011) | Longe do Hype #04

Vocês conhecem este cara da imagem acima? Claro! John Boyega, o Finn de Star Wars – O Despertar da Força. Porém, na pele do intimidante Moses na pérola de baixo orçamento Attack the Block (Ataque ao Prédio, de 2011).

O filme britânico do diretor Joe Cornish fez sucesso em festivais de cinema em 2011 graças ao charme do projeto, entrosamento do elenco de jovens atores e sua notória homenagem aos filmes de “terrir” dos anos oitenta. Tal qual as saudosas fitas VHS que ornamentavam a categoria Terror nas locadoras de vídeos com monstros fofinhos e dúbios na capa.

O enredo é basicamente sobre uma invasão alienígena no subúrbio de Londres e como o nicho marginal da cidade lida com tal incidente. E o protagonismo fica por conta dos membros de gangues, traficantes de drogas, párias da sociedade e pessoas comuns em situações inusitadas que transitam entre o gore, o absurdo e o escrachado.

Muito sangue, efeitos especiais duvidosos, porém, charmosos, e um espírito despojado fazem desse filme uma pequena pérola que passou longe do hype.

PS: A produção é do badalado Edgar Wright, responsável pela direção de Scott Pilgrim, Todo Mundo Quase Morto e Hot Fuzz. Logo, Attack the Block bebe do mesmo bom humor característico de suas obras.

PS2: Joe Cornish e Edgar Wright trabalharam juntos no script de Homem-Formiga da Marvel Studios.

NOTA: 7 pintinhos sorridentes, cujas presas brilham no escuro.

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Invasão à Londres (London Has Fallen, 2016) | Resenha

Invasão à Londres é continuação do filme Invasão à Casa Branca (Olympus Has Fallen) e quem assistiu o primeiro filme pode se perguntar como o diretor Babak Najafi fez para complicar ainda mais a vida de Gerard Butler, que interpreta Mike Banning, o nº 1 da segurança do presidente dos Estados Unidos (Aaron Eckhart).

Uma tarefa nada fácil, já que Mike teria que se preparar para um inferno sangrento, como sugere o subtitulo do novo filme lá fora “Prepare for blody hell”.

Então, que tal uma trama que mistura uma esposa grávida, o desejo de se demitir e uma viagem de ultima hora até Londres para o funeral do primeiro ministro britânico. Sem chance de escapar, Mike tem que cuidar de toda a segurança do presidente numa ocasião que se mostra uma grande oportunidade para vilões e inimigos acertarem vários coelhos numa paulada só, já que todos os grandes chefes de estado do mundo estarão presentes.

Será que algum desses chefes de estado tem um inimigo tão audacioso para aproveitar a oportunidade? Claro! Desta vez o inimigo teve muito tempo para se preparar, atraindo todos para uma grande armadilha em Londres, que neste cenário é a casa do adversário.

Se no filme anterior, que se passava em um lugar só, a Casa Branca, foi aquele todo aquele fuzuê, imagine agora que a invasão é numa cidade inteira. O filme é tiro e bomba pra tudo quanto é lado, o tempo todo. Não se pode confiar em ninguém e, pra ajudar, a pouca comunicação que se tem está sendo monitorada por alguém infiltrado.

Não existe lugar seguro, seja no ar, na água ou na terra. O primeiro objetivo é fugir, então estão garantidas as perseguições de carro, explosões de todos os tipos, e sorte, muita sorte para o presidente e seu guarda-costas.

A tensão vai deixar você na ponta da poltrona. Apesar de alguns breves momentos de drama e uma ou outra piada pra quebrar o gelo, nem chega a dar pra relaxar. No fundo você sabe que o Mike vai ter que se virar. Será que ele consegue?

O filme é um ótimo entretenimento e será lançado aqui no Brasil no dia 7 de abril de 2016. Merece uma nota 3,5 de 5.

Assistimos ao filme a convite da Diamond Films


Ficha Técnica

Título Original: London Has Fallen

País: EUA

Gênero: Ação, Crime, Thriller

Duração: 100min

Diretor: Babak Najafi

Elenco: Gerard Butler, Aaron Eckhart, Morgan Freeman

Iradex Podcast 97: Sicario / Cartel Land

Seguindo nossas indicações de documentários do Oscar 2016, essa semana contamos com a ilustríssima participação do Lucas Aquino para falar sobre Cartel Land. Pra casar, falamos também sobre o injustiçado filme Sicário, que merecia ter recebido bem mais destaque. Tá tenso, mas tá massa!

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Participaram desse podcast: Raphael PH Santos, Kaio AndersonGabriel Franklin e Lucas Aquino


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