Crítica: G.I. Joe – A Origem do Cobra (2009)

Por Raphael PH Santos em 08/08/2009 | Críticas, G.I. Joe

poster_gijoeIncrível como um pouco de simplicidade e honestidade podem descarregar todas as expectativas ruins que uma pessoa tem para com um filme.

Lógico que desde o começo eu mantive expectativas ruins para com G.I. Joe: A Origem do Cobra. Não me lembrava dos desenhos animados, os quadrinhos eram ruins demais e, ora, eram bonecos (os Comandos em Ação, ou Falcon para os mais antigos) que vinham com uma descrição de combate atrás do pacote. Tudo bem que o primeiro Transformers havia dado uma moral pra esse tipo de projeto, mas ainda assim minha desconfiança existia.

O plot é relativamente simples. Vivemos em um futuro não tão distante onde o hi-tech está bem mais presente. Logo de cara vemos um personagem que é uma espécie de Senhor das Armas (Aquele do Nicolas Cage? Parecido.) que compactua com ambos os lados. A história se desenrola no momento que somos apresentados aos bonecos… opa, militares Duke e Ripcord numa missão de transportar uma inédita e almejada arma. A partir daí temos mais apresentações e então briga, briga e mais briga.

Eu não poderia pedir mais do roteiro de Stuart Beattie (30 Dias de Noite) e David Elliot – foram cinco roteiristas, mas destaco esses dois como representantes. A trama compactua com o objetivo do filme. O que acontece entre as lutas é simplesmente para dar junção entre elas, nada mais. Nos três atos meio que são criados mini-clímax sempre culminando em tiros, lutas corpo-a-corpo, mega-explosões, perseguição de moto, carro, a pés. Ao fim, temos uma overdose de ação para aqueles que curtem o gênero.

As piadinhas e algumas falas rasas demais incomodaram. Já esperava, uma vez que tínhamos Marlon Wayans (As Brinquelas, Todo Mundo em Pânico) como Ripcord em um relativo papel de destaque. Se ele não convence como militar, sua escalação no elenco foi justamente para deixar a história tremendamente pueril. Tanto com suas piadinhas muitas vezes sem graça, quanto como suas exageradas expressões faciais. Até Sienna Miler se atreve nas tiradas sem graça.

Apesar do melhor personagem ser o Snake Eyes, destaco do elenco o ator Adewale Akinnuoye-Agbaje. Além de ter sido legal rever o Mr. Eko de Lost, ele realmente colocou um esteriótipo de macho ao melhor estilo anos 80. Estranho mesmo foi ver Channing Tatum. O ator saiu de Coach Carter e do fraco Ela Dança eu Danço. Depois de vê-lo dançando, vê-lo atirando é complicado, mas acabei aceitando depois. Dennis Quaid impõe sua face já conhecida e Rachel Nichols não impressiona. Sienna Miler passou por lá: fraca!

A música de Alan Silvestri criou uma identidade auditiva para a franquia. Importante para um filme que almeja continuações. A direção de Stephen Sommers também foi outro fator interessante. Completou a identidade auditiva com a visual e me foi honesta o tempo inteiro. Colocou o manual Michael Bay de cinema debaixo do braço e não ousou tanto para não fazer besteira.

G.I. Joe: A Origem do Cobra pode não ser a última Coca-Cola no deserto, mas pode te surpreender. Porém, é um tanto descartável. De tão simples e óbvio, não gera aquela vontade de retornar à sala de cinema e vê-lo novamente. Ainda assim é um grande acerto do produtor Lorenzo di Bonaventura.