[Resenha] 007 - Operação Skyfall (2012)

Quando saí do cinema, twittei: "O melhor 007 da minha geração". Não abro mão da afirmação.

Cada 007 marca uma geração que pode ser identificada pelos atores contratados para protagonizar os filmes. A primeira geração é marcada por Sean Connery e Roger Moore. A segunda geração por Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig. Assim sendo, a primeira geração tem com certeza um filme mais marcante para o seu pai. Provavelmente, esse filme está totalmente fora de contexto diante dos tempos atuais.

Os filmes do espião mais famoso do mundo são responsáveis (além de faturar alto, lógico) por apresentarem o mundo e as discussões globais de determinadas épocas. Não só isso, apresenta moda, conceitos tecnológicos, modo de falar, papel da mulher na sociedade etc. O que funcionou muito bem para meu pai ou meu avô na primeira geração, não funciona tão bem se visto hoje em dia. O filme em si funciona, mas a discussão talvez não. Assim sendo, Operação Skyfall, protagonizado por Daniel Craig e dirigido por Sam Mendes, representa os 007's da minha geração como sendo o melhor.

De trás pra frente

Após vários problemas no MI6, James Bond se vê em uma discussão de passado e presente. Aqui, o antes inabalável herói é taxado como retrógrado, ultrapassado, antiquado. Menos por M, vivida mais uma vez por Judi Dench.

O filme traça a discussão que os novos espectadores podem estar tendo: "Isso é mentiroso demais!", "Pra que caneta explosiva?". Com Daniel Craig assumindo o papel principal, 007 começou a se modernizar. De um Casino Royale que inicia com uma cena de Parkour e passando por um Quantum of Solace - os dois primeiros filmes da era Daniel Craig.

A modernização até vem, mas não vem para tudo e para todos. James Bond deixa claro que todos ao seu redor podem se modernizar, e até o fazem. As coisas, porém, vão ainda ser resolvidas do seu jeito. Do jeito Bond. Do jeito antiquado. Um antiquado que dá certo. Assim sendo, temos em Operação Skyfall o limiar perfeito entre o clássico e contemporâneo.

Homenagens e mitologia

O filme de 2012 marca a franquia completa com o enriquecimento do universo conhecido de 007, ou melhor, do personagem James Bond. Desde onde nasceu, como foi garimpado como talento, até sobre sua família. A partir dessas apresentações, o filme se torna automaticamente um marco na cronologia dos 007's.

Operação Skyfall vai além. De roteiro dotado de meta linguagem, o título faz um passeio por quase todos os filmes e pelos momentos marcantes dos melhores longas da franquia. Tem referência até ao quase esquecido 007 - Na Mira dos Assassinos, pois um alvo em movimento é mais difícil de acertar.

A visão de mundo desse novo filme também é interessante. Reduziram o arsenal de Bond. Reduziram o tamanho dos gadgets. Reduzir... Essa é a grande discussão tecnologia da atualidade. Época de iPhone, época das telas de 4 ou 7 polegadas. Época do portátil. Do vai-e-vem dos jovens com os aparelhos em suas mãos a proferir que estão com o mundo em suas mãos - ora o mundo.

Somos apresentados a essa discussão tecnológica de forma bem sutil. Nada de colocar o 007 resolvendo tudo pelo smartphone. Pelo contrário, isso não combina com ele. A sutileza para demonstrar isso por toda a franquia renderia ótimos trabalhos acadêmicos (fica a dica).

Ou seja...

Skyfall tem um herói humano. Um James Bond ferido. Sofrido. Pensador. James Bond que se deixa sair da linha. Um James Bond especial diante dos outros humanos, mas, ainda assim, apenas um humano. Foi por se tornar mais próximo de nós, mais palpável e tão agregado às tendências que 007 - Operação Skyfall se tornou o melhor 007 da minha geração.

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