Caixa de Histórias 26: Dom Casmurro

Nesse episódio morremos de ciúmes com o clássico de Machado de Assis, Dom Casmurro.

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Comentado no episódio

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  • Rodrigo Basso

    Olá Paulo!

    Primeiro, concordo com todo o “disclaimer” que vc fez no início sobre o que é arte, principalmente sobre Dom Casmurro ser um clássico justamente por tratar de um tema inerente à condição humana. A linguagem pode não amigável/atualizada para o nosso tempo, mas o que é discutido no romance é atemporal.

    Ao contrário do que vc disse, acho que o livro é uma peça de acusação de Bentinho para Capitu, tentando nos provar que ele “é um pobre garoto inocente que foi seduzido e enganado pela essa ardilosa mulher”, como é muito bem apontado pela crítica Helen Caldwell. Apesar de concordar com o que vc disse no início sobre ter uma visão própria do livro, após ler “Machado de Assis: O Otelo Brasileiro” eu tenho dificuldades em ver a obra de outra maneira…

    Acho que vc acertou em cheio ao falar que é o olhar de Bentinho que muda, não os olhos de Capitu. Alfredo Bosi escreve um pouco sobre isso em seu ensaio “O Enigma do Olhar”.

    Pra mim, nesse livro (assim como praticamente todos os romances do Machado) não podemos perder de vista o alto grau de ironia presente na narrativa. É preciso prestar atenção porque nada que o narrador nos apresenta é aquilo que realmente é. Por exemplo o trecho que vc citou dos bustos dos imperadores: ele gasta um tempo da narrativa descrevendo eles e alega “nao saber direito o motivo pelo qual decidiu fazê-lo”! Ah, me poupe né? Quem nunca ouviu uma indireta de alguém numa conversa terminando em “eu não sei porque me lembrei disse agora…”

    No mais, ficou muito bom o episódio!

    • Oi Rodrigo, Muito bacana seu comentário!
      Concordo com muito do que você disse, só não acho que o fato de ser uma carta de confissão inviabiliza ser uma peça de acusação, acho que ela é as duas ao mesmo tempo, da mesma forma que nossos sentimentos são conflituosos em muitos pontos chegando a ter casos em que a tese e a antítese estão presente em nós ao mesmo tempo, assim também vejo a obra de Bentinho que ora acusa, ora se acusa. Diz uma coisa diretamente e o oposto nas entrelinhas. E este é mais um dos fatores que fazem o livro ser tão bom.

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  • Tiago Veloso

    Finalmente entrei na Caixa de Histórias! Comecei pelo Dom Casmurro, que é um dos “livros amigos”, como eu chamo, que são poucos e merecem ser revisitados a vida inteira.
    Paulo, curti o Podcast! Parabéns! Estou ouvindo na Deezer (o que tá bem prático). Agora, vou por a audição em dia! heheh

    Sobre Casmurro
    Sim, é uma bela obra de arte para ser sentida, e para encontrar identificação. E para se apaixonar.

    Acho viagem essa história da crítica ao casamento. É uma leitura superficial. O fato de “inaugurar o realismo”, como bem dito por você, acho que justamente transforma e aprofunda a interpretação literária do amor, abaixo das nuvens românticas e com coragem de vasculhar a realidade.

    Não chego a concordar com todas as suas interpretações, mas achei construtivas. Como você propôs, é sua visão. O ponto de vista teatral, nem discuto… bacana.

    Eu re-li Dom Casmurro depois de muitos anos, durante o fim do ano passado, e comecei a ter uma encanação de que é um livro meio metalinguístico, sobre escrever ou ser escritor de histórias, que o nome da Capitu (Capitolina) faz referência a Capítulo, e Machado de Assis retrata uma relação de amor e ódio com a arte hahaha. Eu tenho anotado em algum lugar a viagem, que me divertiu.

    Para mim, a última frase é uma síntese do fato histórico-literário em que se constituiu Dom Casmurro: “Vamos a história dos subúrbios!” – entremos no lado pobre, inóspito, deixado de lado de nossas histórias, almas e relacionamento para extrair os sentimentos e a real beleza que há no caos em nós.

    • Oi Tiago, que bom te ver por aqui.
      Muito interessante esta viagem meta-linguística como você falou.
      Espero que os outros episódios lhe agradem também.
      Abraços.

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