Os Senhores dos Dinossauros

A cavalaria é uma das armas mais importantes de um exército. Mesmo com um diminuto número de cavalos, um exército pode se sair vitorioso contra um inimigo que não esteja preparado para enfrentar uma carga montada. E por isso mesmo, os cavaleiros têm uma posição especial na hierarquia militar. Eles são admirados pelos plebeus, que têm o sonho de um dia alcançarem tal glória; invejados pelos nobres, que devem buscar a admiração dos plebeus em outras frentes que não os atos de bravura em batalha; temidos pelos reis,  pois sabem que tronos só se sustentam com apoio deles.

Paraíso não foge à essa regra. Lá, os cavaleiros também são essenciais. Mas eles não montam só cavalos, pois, em Paraíso existem dinossauros.

capa-darkside-books-senhores-dos-dinossauros-01"Uma coisa que você precisa saber.

Este mundo - Paraíso - não é a Terra.

Não foi a Terra. Jamais será a Terra.

Não é uma Terra alternativa.

Todo o resto é possível..."

 

 

 

 

O recado dado pelo autor Victor Milán é bem claro, apesar das muitas semelhanças entre nosso mundo e o retratado em seu livro. Tendo chegado às livrarias no segundo semestre desse ano, a edição brasileira de Os Senhores dos Dinossauros (The Dinosaur Lords) mantém o nível de qualidade gráfica esperado da editora Darkside.

Nele vemos um enredo com vários elementos clássicos de capa e espada (intrigas da nobreza na luta por poder, heróis caídos buscando redenção, amores avassaladores gerando ciúmes não menos avassaladores), e a comparação com Game of Thrones feita na capa é inegável, principalmente pelas questões políticas e religiosas. Outra referência clara é o subplot à la Sete Samurais (ou Sete Homens e um Destino, se você for mais dos westerns). Mas o livro vai bem além disso.

Acrescido de detalhes bastante originais, Os Senhores dos Dinossauros a meu ver consegue criar uma identidade própria. A começar pelo fato de que os dinossauros não só existem em sua forma selvagem, como também são domesticados para os mais variados usos, inclusive a guerra. As descrições das diversas raças dos répteis levam a gente de volta no tempo, àquela época dos fascículos das bancas que vinham com os ossinhos que brilhavam no escuro para montar (se você não viveu essa época, meus pêsames T-T).

Outra marca registrada é a narrativa, que não se preocupa em explicar detalhadamente o que está acontecendo, sendo um fato contado ao longo dos capítulos, sob vários pontos de vista diferentes. Isso torna a leitura um pouco mais lenta, pois muitas vezes você tem que voltar um pouco para juntar algumas pontas soltas. Particularmente, não vi como um problema, pois me desafiou a prestar mais atenção e me deixou ainda mais curioso com o funcionamento do mundo. Mas entendo que possa ser um obstáculo para quem não entendeu a proposta, principalmente no começo do livro.

Primeiro de uma trilogia (o segundo tem previsão de ser lançado em julho de 2016, com título The Dinosaur Knights), Os Senhores dos Dinossauros é uma boa aquisição pra quem tá cansado da mesmice das aventuras medievais e quer encontrar algo diferente e instigante.