Deuses Esquecidos - Tempos de Sangue (Eduardo Kasse)

deuses-esquecidos-tempos-de-sangue"Uns dizem fui amaldiçoado, outros que ganhei uma nova vida."

Conheça Alessio di Ettore, um homem simples, trabalhador, cristão devoto, pai carinhoso, esposo esforçado, cujo único defeito é o de dormir demais, e que tem a sua vida mudada para sempre. Se para melhor ou pior, depende do seu julgamento. E o seu julgamento só é possível se você aceitar acompanha-lo nessa sua nova vida e colocar-se no lugar dele.

Imagine que de uma hora para outra você passasse de um simples lavrador a alguém com uma força muito maior do que de qualquer soldado, com uma velocidade superior a qualquer cavalo, com os sentidos mais aguçados que o de qualquer predador. O que você faria? Seria bom? Seria mal?Você que percorreu obscuros caminhos com Harold Stonecross, o Andarilho das Sombras (primeiro romance de Eduardo Kasse), e acompanhou-o em sua tortuosa jornada rumo à eternidade, agora tem uma nova alma amaldiçoada sobre a qual se debruçar.

Em sua série Tempos de Sangue, Eduardo Kasse nos leva a pensar em todas essas questões, e de uma forma tão direta e dura quanto um tapa na cara. Se no Andarilho das Sombras, vimos um personagem que perdeu quase todos os valores humanos, no Deuses Esquecidos temos um novo maldito, que luta de todas as formas para não perder esses mesmos valores.

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Outra novidade, além do personagem, é o cenário. Estamos agora na Itália do fim do século X, com seus castelos, mosteiros e feiras; reis, padres e mercadores; mas também com os ladrões, mendigos e doentes. Incrível como Kasse consegue nos transportar para uma rotina a tanto esquecida, mas que parece viver dentro de nós, como uma memória de nossos ancestrais (agora viajei à la Assassin's Creed).

O maior mérito da obra é um ponto que já estava presente no primeiro romance de Kasse, mas que só vim a me dar conta com os percalços e questionamentos de Alessio. O autor nos mostra um ser imortal em meio a um rebanho de almas que viviam imersas no medo (da morte, do diabo, de Deus...). É tal qual o único indivíduo que enxerga em uma terra de cegos, ou o primeiro mentiroso em um mundo onde todos só falam a verdade. Ele tudo pode. É um Deus.

Esse baque, esse estalo, esse fragmento de verdade, faz toda a diferença para a obra e me fez começar a ler tudo novamente logo após ter terminado. Destaque especial para as últimas cinco páginas, muito melhores que alguns livros inteiros que você talvez já tenha lido.