Asterix – Por Tutatis! Por Júpiter! Por favor!

"Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos... Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor."

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Geralmente quem curte quadrinhos começou sua paixão na tenra infância. Fomos praticamente alfabetizados com as aventuras (e desventuras) contidas em almanaques mensais, revistinhas semanais, ou até mesmo tirinhas de jornal diárias.

A garotada dividia as atenções quadrinísticas (existe essa palavra?) entre os títulos de super-heróis e as tradicionais edições da Disney e da Turma da Mônica, encontrados facilmente em toda banca de jornal.

Infelizmente, por serem mais difíceis de conseguir (geralmente só por encomenda das editoras, o que triplicava a dificuldade, pois você precisava de um parente mais velho), alguns excelentes quadrinhos passaram despercebidos por muita gente, mas marcaram profundamente quem os conheceu. Essa é a breve história de um deles.

Esses franceses!

Asterix é uma criação da dupla francesa Albert Uderzo (ilustrações) e René Goscinny (roteiro) que retrata a vida em uma pacata aldeia rebelde na Gália durante a expansão territorial da República Romana no século I a.C. Essa pequena aldeia é habitada por corajosos guerreiros (até os velhinhos lutam!) que só temem que o céu caia sobre as suas cabeças, e que tem sua força prodigiosa tirada de uma poção mágica preparada por seu druida.

O que parece ser um assunto pouco provável para uma história em quadrinhos, se torna seu grande diferencial. A genialidade da dupla está presente em cada detalhe da obra, do enredo ao traço, dos nomes dos personagens às falas estilizadas (ambos de acordo com a nacionalidade do personagem), dos costumes da época à mistura com elementos modernos (lembrando que a maioria das histórias foi escrita entre as décadas de 1960-70). Adicione a isso tudo uma grande dose de humor e sarcasmo e você terá uma obra prima!

Esse universo rendeu 35 edições do quadrinho (sendo as últimas 8 feitas apenas por Uderzo após o falecimento de Goscinny em 1977), 6 filmes (todos horríveis!), 11 animações (todas sensacionais!), vários jogos (board e videogames) e um parque temático em Paris.

Para dar um gostinho, vou listar abaixo algumas edições que são boas para quem quer começar:

Asterix, o Gaulês

asterix-o-gaulesNesse primeiro volume são apresentados os personagens que farão parte de todas as outras histórias.

Quando Panoramix, o druida, é raptado pelos romanos que tentam descobrir a fórmula da poção mágica, Asterix (o mais inteligente da vila) e Obelix (que caiu num barril de poção quando era pequeno) são mandados para o resgate.

Esses romanos são uns loucos!


Asterix e Cleopátra

asterix-e-cleopatraO arquiteto egípcio Numeróbis vê-se no meio de uma aposta entre Júlio César e Cleópatra (que certamente tinha um belo nariz), tendo que construir um templo em apenas três meses. Detalhe: todas as suas construções anteriores caíram.

Ele então pede ajuda a seu amigo Panoramix, o druida, que parte para o Egito com Asterix, Obelix e seu cãozinho adorador de árvores Ideafix. Destaque pras falas dos egípcios, que são em hieróglifos!

(nota do editor PH: li isso, lembrei e ri sozinho).

Asterix entre os Bretões

O meu preferido

asterix-entre-os-bretoesJúlio César abandona momentaneamente suas infrutíferas tentativas de derrotar os gauleses para conquistar a Britannia. Lá, também uma corajosa aldeia resiste, mas não tem poção mágica. Por isso é enviado um

emissário, Cinemapax, para conseguir ajuda com seu contra-parente Asterix, na Gália.

Junto com o inseparável Obelix, eles partem rumo à terra das neblinas súbitas, aterrorizam as romanas patrulhas, param pra tomar quente água, e conhecem um esporte assaz divertido!

Enfim, é isso. Espero que tenham gostado. Se tiverem alguma reclamação, basta preencher o formulário em três vias...

Nota do editor PH: Enquanto eu revisava esse maravilhoso apanhado de Asterix do Gabriel, fui me lembrando de várias coisas que li. É nostalgicamente fantástico relembrar Asterix, Obelix e as sacadas fantásticas de brincar com os idiomas e as misturas de raças. Saudade...

  • Edlena

    Massa, primo! Nós, os anciões da família, temos nossos surrados exemplares (detanto que foram lidos e relidos), disponíveis para análise acerca das traduções, que percebi terem sofrido adaptações com as novas edições (gírias, músicas da moda etc). O saudoso primeiro exemplar que li, aos nove anos, achado ao acaso na estante da casa da vovó, foi o Asterix e os Normandos, que ficou como o preferido por ter sido o primeirão, aquele que me abriu as portas para as delícias do humor francês, antes de assistir aos filmes de Jacques Tati. Aguardo ansiosa a resenha sobre Tintin, que também foi bem significativo para o universo dos quadrinhos de aventura, mesmo com toda a polêmica envolvendo Hergé. 😉

    • Gabriel Franklin

      Tem razão Ed.
      As traduções mudaram ao longo do tempo. Mas os que eu tenho aqui em casa são da categoria relíquias como os que li emprestados de vocês quando era pequeno. =D
      Sobre o Tintin, pode aguardar que tá na agulha!
      Abração e obrigado pela lida!