O Paradoxo Cloverfield | Resenha

Os filmes dentro do universo de Cloverfield não param de surpreender pelo sigilo de suas produções e por seus lançamentos repentinos. O primeiro aparecia envolto de mistérios com seus trailers enigmáticos. A sua continuação também pegou todos de forma inesperada, surgindo de de repente, com um plot que não parecia se encaixar perfeitamente com o seu antecessor e com seu final que acaba deixando o publico ainda mais confuso sobre o panorama geral da historia. O terceiro capitulo da saga não foge a regra. Depois de impasses sobre sua exibição, foi anunciado durante o Super Bowl que a produção seria exibida pela Netflix, e sua estreia seria logo após o termino evento.

Um colapso está prestes a eclodir na Terra, devido a eminente morte da matriz energética do mundo. Eis que uma iniciativa é criada visando gerar energia para todos. E, para isso, um grupo de cientistas é enviado para uma estação espacial para que, de lá, possam fazer o projeto funcionar. Algo não sai como o previsto e coisas estranhas começam a surgir.

Todos os filmes da (até então) trilogia, mesmo que compartilhando alguns elementos, parecem ser totalmente deslocados um dos outros e bebem de fontes diferentes, o que acaba dando mais autonomia para os comandantes dos episódios específicos. O Paradoxo Cloverfield foge do estilo Found Footage do primeiro e do enclausuramento do segundo, se aproximando assim de filmes como Alien, o Oitavo Passageiro, O Enigma do Horizonte e até de jogos como Dead Space. O clima claustrofóbico e diversos outros elementos são tirados dessas obras de forma inteligente, não deixando que soe como um mero derivado, dando espaço para uma roupagem própria.

O elenco como um todo é competente e funciona em sincronia como um equipe. De fato, há alguns com menos desenvolvimento e tempo de tela, porém, para todos são dadas características, funções distintas e pelo menos um curto momento de destaque para que possam ter identidades próprias. Merecendo destaque, Gugu Mbatha-Raw, que interpreta Hamilton, é a personagem com o maior dilema dentre toda a tribulação e que transita pela maior gama de emoções. David Oyelowo dá vida ao comandante Kiel, um homem com um forte senso de liderança e uma sincera preocupação com sua missão e comandados. Também estão no elenco nomes como Daniel Brühl, Ziyi Zhang, John Ortiz e Chris O'Dowd, todos operacionais e competentes.

O ambiente da estação espacial também é fortemente ostentado, dando varias vezes uma sensação de labirinto ao percorrermos por seus corredores, ainda mais quando o clima de estranheza se intensifica. Além disso, as funções de seus compartimentos são mostradas de maneira didática sem parecer pedante.

Há uma subtrama passada na terra que é usada como conexão com os filmes anteriores. Apesar de curta, ela é cativante o suficiente para manter o interesse. Dito isso, se analisarmos o filme como um conjunto com os outros componentes da trilogia, existem algumas "forçadas de barra" que podem incomodar. E, analisando como uma peça singular, também é possível achar pequenos furos e incongruências narrativas. Todavia, não chegam a macular a produção como um todo.

O Paradoxo Cloverfield busca preencher as lacunas deixadas por seus filmes anteriores e essa função é cumprida minimamente, fazendo surgir ainda mais perguntas. Essa confusão pode desagradar aqueles sedentos por resoluções ou instigar ainda mais as teorias. Basicamente o filme opta por responder indagações com mais indagações. Ainda assim, é uma experiência claustrofóbica, criativa e, em alguns momentos, assustadora.