Artista do Desastre | Resenha

Ei, você já assistiu The Room? Não? Poxa! Eu acho que você deveria fazer isso. Na real, eu acho que todos deveriam fazer isso uma vez pelo menos. The Room é o sinônimo perfeito para "é tão ruim que dá a volta e fica bom". É perfeito para observarmos o tanto de coisas em que ele falha, como o roteiro sem pé e nem cabeça, os diálogos horríveis, as atuações tenebrosas, o chroma key bizarro, e até uma bunda estranha que aparece várias vezes. Enfim, resumindo, nada nele funciona. Isso faz sentido pois ele foi escrito, dirigido, produzido e protagonizado por Tommy Wiseau, um homem que não tinha talento e nem experiência para tais tarefas. Em contra partida ele tinha algo que poucos tem: determinação e força de vontade (e uns 5 ou 6 milhões de dólares livres para gastar, claro).

Ok, o objetivo aqui não é falar sobre The Room e sim sobre "Artista do Desastre" filme que se baseia em um livro homônimo e que conta os bastidores de The Room e a relação de amizade entre Greg e Tommy.

Dito isso, de longe, o ponto de maior destaque da obra é a química entre a dupla protagonista. Ambos tem um sonho em comum e ambos compartilham de limitações semelhantes. A amizade e admiração entre eles é bastante convincente e também serve de embasamento para as ações mais controversas que tomam. Além do mais, James Franco e Dave Franco, atores que interpretam respectivamente Tommy e Greg, cumprem seus papeis com bastante verossimilhança. Em especial James, que emula o jeito de falar, andar, olhar e se comportar de forma assustadoramente parecida com o excêntrico Tommy da vida real.

Aqui se faz necessário uma pontuação. Não é obrigatório assistir The Room para se divertir com O Artista do Desastre, porém muito se perde por essa falta de conhecimento prévio.

No elenco há nomes como Seth Rogen, Alison Brie, Bob Odenkirk e uma serie de outras atrizes e atores de peso que figuram apenas como participações especiais. Todos parecem estar se divertindo, mas seus personagens acabam não tendo um pingo de desenvolvimento.

Além de protagonizar, James Franco também assina a direção. E seu trabalho aqui não é nada fora do comum. O mesmo pode ser dito do roteiro, que segue por um caminho bastante previsível, o que torna as reviravoltas sem muito impacto. Todavia, como um filme que pode ser enquadrado no gênero comédia, ele cumpre bem seu dever primordial que é fazer rir.

O Artista do Desastre, a primeira vista, pode parecer apenas um filme sobre os bastidores de uma produção bizarra (o que já seria bastante legal), mas ele vai além disso e nos mostra, mesmo com o roteiro e direção pouco inspirados, um retrato de perseverança e sonhos. Essa mensagem é sempre valida, ainda mais quando, de quebra, nos tira boas gargalhadas.