The Post - A Guerra Secreta | Resenha

Sou formada em Matemática, um curso que sempre teve mais aluno homem que mulher. Em inúmeras vezes minha capacidade foi desacreditada pelo simples fato de ser mulher, como por exemplo no dia em que notei um erro no cálculo de um problema que um professor estava resolvendo e ele não deu atenção, continuou resolvendo errado até um amigo apontar o mesmo erro (a pedido meu) e só então ele acatar a sugestão.

Fora da faculdade não é muito diferente: já teve mecânico que se recusou a ouvir o que aconteceu com meu carro e errar a causa do problema, já teve taxista duvidando do melhor caminho para chegar na minha casa (e, pasmem, um até quis me deixar na rua de trás jurando que meu prédio antigo tinha duas entradas, sem ter). Todos esses pequenos exemplos ocorreram depois dos anos 2000 e tenho certeza que ocorrem todos os dias com todas as mulheres, então imagine você uma mulher a frente de uma empresa, com apenas homens em sua diretoria, nos anos 70.

Antes de continuar, gostaria de dizer que The Post não é sobre a (falta de) voz da mulher. Inclusive, suas colocações a respeito desse assunto são muito sutis, mas, como mulher, não pude deixar de me identificar e admirar o trabalho de Kay Graham, interpretada com doçura pela excepcional Meryl Streep, como dona do jornal Washington Post que estava prestes a lançar suas ações na Bolsa de Valores.

Em 1971, o New York Times iniciou uma série de publicações revelando documentos secretos do Pentágono, mostrando como vários governos americanos mentiram a respeito da Guerra do Vietnã. Quando o governo do presidente Richard Nixon tentou impedir as publicações, os documentos foram parar na redação do Washington Post, chefiada por Bem Bradlee (Tom Hanks) que, juntamente com sua equipe, precisa convencer Kat e os demais responsáveis pelo jornal sobre a importância de sua publicação. Esse material entrou para a história como “Pentagon Papers” e levou os dois jornais citados a julgamento, gerando a discussão sobre a liberdade de imprensa.

O filme traz o ponto de vista da equipe do WP e, em meio às discussões se valeria a pena travar uma luta com a Casa Branca, acompanhamos a tomada de posição de Graham, o funcionamento da redação, todo o processo de produção do jornal e a batalha idealística sobre o dever da imprensa e o compromisso com a democracia. Algo ainda muito relevante nos dias de hoje, já que o mesmo Washington Post lançou no ano passado o slogan “A democracia morre na escuridão”.

Dirigido por Steven Spielberg, The Post – A Guerra Secreta é um filme emocionante, inteligente e mostra mais do que o início do declínio do governo de Nixon, comprovando que a informação é uma grande arma na luta contra uma opressão política.