Mixtape #9: Rock Psicodélico

O rock psicodélico é subgênero do rock que surgiu nos anos 60, consequência direta da cultura hippie e do uso de drogas alucinógenas. Inicialmente muitos dos artistas e parte majoritária do público dessa ramificação musical tinham como objetivo expandir a experiência de "alteração da percepção" que as drogas proporcionavam com a música.

Extremamente diversificado em suas influencias – folk, jazz, blues - no rock psicodélico não há uma necessidade de repressão do gênero. Claro que existem características que mais ressaltam, como os longos solos, o uso de sintetizadores, uso de teclados, referencias de gêneros variados na mesma música, tracks marcadas por uma falta de "lógica", a vasta experimentação com diferentes sons em busca de algo que dinamize e seja entorpecente para o ouvinte.

Por muitas vezes criticado na época, por conta de fazer parte de uma "contra-cultura", o subgênero foi um dos grandes marcos na música, com extensas colaborações para a música atual.

Diane Coffee

A banda, que é composta por musicistas que possuíram experiências transcendentais que os levaram para esse estilo de expressão musical, busca um som idealizado em influências dos anos 70. A premissa da banda é um som adocicado misturado com um pop francês. Cada nota usada é assertiva.

Suas músicas tem como tema o amor, seja em sua forma correspondida ou gloriosa ou aquele que está praa acabar. A música principal do segundo álbum de Shaun Flemings a.k.a. Diane Coffee, Everybody’s a Good Dog, Everyday, tem em sua letra componentes famosos de versos de músicas pop, como a frase ¨Stop playing games with my heart¨.

As músicas da banda não são inovadoras, porém são extremamente agradáveis e fáceis de escutar. Acredito que o objetivo principal da banda era lançar um EP que não fosse único ou que brilhasse em meio de vários EPs lançados, porém que fosse afável.

Entretanto não se deve descartar o a influência post-punk, psicodélica e menos calma, da track I Dig You. Nessa, não temos um som tão limpo e tão aprazível com influências totalmente divergentes do resto do álbum.

Everyday

I Dig you

Of Montreal

Há quem possa não considerar essa banda como rock psicodélico e sim um indie-rock, porém, em termos técnicos e baseado em suas construções musicais e usos de recursos para produção, eles são facilmente identificáveis como.

A banda que tem como "líder" Kevin Barnes, formada em 1997, foi da segunda leva de músicos que surgiram da gravadora Elephant 6 Records Company, uma gravadora que buscou artistas experimentais. Tanto que, ao longo dos anos, Of Montreal experimentou com variados sons e letras (onde o foco divergiu durante os anos de questões pessoais para ficcionais e, por fim, que envolvessem questões mais abrangentes).

Se olharmos – sem precisar de muita atenção – para as artes usadas nos álbuns, a influencia dos anos 60,70 é bem nítida.

No 9º CD da banda, Barnes (que é o compositor) criou um álbum em que todas as músicas se interligam em uma forma catártica – não há real lógica aqui e cada música conta uma história diferente, porém na melodia há uma similaridade complementar nas músicas subsequentes. O Álbum começa com a música que me causou mais interesse: Nonpareil of Favor. Para alguns críticos, ela pode ser bem irritante mas quem é fã de Tame Impala verá muita proximidade nos sons.

Para mostrar a grande facilidade de Barnes de transitar entre estilos diferentes ao longos dos anos, a segunda música que indico é do álbum The Sunlandic Twins, que também tem suas raízes psicodélicas, porém é bem mais tranquilo e aprazível do que o primeiro, com algo mais puxado para o pop dos anos 40 com um toque de psicodelia dos anos 60.

Nonpareil of Favor

Wraith Pinned to the Mist


Hanna Pinheiro, DJ desde 2010 das grandes festas de rock de Fortaleza, destaque das noites da cidade com várias referências nos sons nacionais e também uma pesquisadora de musicas novas. Já foi DJ residente do Orbita Bar e DJ da Festa Fliperama. Atualmente tem residência no Berlinda Club.