Bom Comportamento | Resenha

A carreira de Robert Pattinson iniciou com uma tímida participação em Harry Potter e o Cálice de Fogo, após isso houve uma verdadeira explosão de popularidade quando foi par romântico de Kristen Stewart na saga Crepúsculo. A saga trouxe visibilidade, porém era um material que pouco valorizava sua capacidade. Depois do término da trilogia, o ator inglês tem feito escolhas de trabalho cada vez mais interessantes, optando por produções com menor orçamento (como o ótimo The Rover) e também por trabalhar com diretores mais autorais, como David Cronenberg. Isso tudo nos traz ao seu último trabalho, Bom comportamento, dirigido pelos irmãos Safdie.

Na trama de Bom Comportamento, Robert Pattinson interpreta Connie, um homem que após um assalto frustrado se vê forçado a juntar uma grande quantia em dinheiro em um período curto de tempo para poder tirar seu irmão e comparsa da cadeia. A primeira virtude no desempenho de Pattinson é nos fazer ter interesse em um personagem detestável. Connie é egoísta, e usa as pessoas a seu favor sem dar a mínima por elas e ao mesmo tempo é um jovem de pensamento rápido que sempre tem uma carta na manga para sair de situações adversas. Isso faz com que, mesmo não gostando do protagonista, seja intrigante acompanhá-lo.

Outro que também merece destaque é Benny Safdie, que interpreta Nick (além disso, é codiretor), um homem com problemas mentais e irmão de Connie. Benny foge de maneirismos baratos e entrega uma atuação poderosa e verdadeira que, mesmo em pouco tempo de tela, não é facilmente esquecida.

Há no elenco também nomes conhecidos como Jennifer Jason Leigh e Barkhad Abdi, mas suas participações são tão inexpressivas que não passam de figurantes de luxo.

Existe uma forte sensação de imersão causada pela fotografia, que utiliza muitas cores neon em suas composições, criando quadros belíssimos e estilosos, além disso, em vários momentos temos planos aéreos que ostentam a cidade e dá a ela uma personalidade própria. Outro aspecto que auxilia nessa sensação é a trilha sonora, que utiliza sintetizadores e batidas eletrônicas, que chegam a lembrar em muitos momentos músicas de retrowave, casando perfeitamente com o clima urbano da obra.

Infelizmente o roteiro peca em alguns momentos com algumas facilitações baratas e má utilização de seu elenco como um todo que deixam a narrativa mais pobre, bem como um ato final rápido, pouco satisfatório e visto de cima, que quebra a emoção em que estávamos investidos.

Bom comportamento é um filme cheio de estilo, bonito e com personalidade que, mesmo com pequenos deslizes, é mais uma prova que Robert Pattinson é um excelente ator e tem um ótimo dedo para escolher com quem trabalha.