Mixtape #7: Covers

A ideia de covers, como conhecemos, surgiu há pouco tempo, primeiramente embasando na forma de comercialização que foi modificada ao longo dos anos da indústria musical. As versões de músicas feitas por variadas interpretes era extremamente normal e o meio mais comum da promoção de uma nova track.

O começo da comercialização musical como conhecemos – rock, pop e etc – se dá com a criação do LP (em torno dos anos 30), porém os primeiros LPs tinham uma grande limitação em sua capacidade. Em sua maioria, eram capazes de armazenar e reproduzir apenas uma ou duas faixas. Nessa época, o mais comum eram diversas versões da mesma música por diferentes interpretes – não havia tanta proteção dos direitos autorais como hoje existe em cima da produção original de uma música.

A música Fly Me to The Moon, por exemplo, tem uma quantidade exorbitante de versões – ela foi regravada por grandes interpretes na época.

A compra dos discos era normalmente impulsionada se o público de fato gostasse de uma das interpretações que escutou no rádio e logicamente ele iria comprar aquele LP do interprete, porém, no geral, o que acontecia era a compra da partitura da música, pois no mesmo período foi comum o ensino de música, logo poderiam apenas reproduzir elas mesmas em casa.

O aumento da compra de LPs só aconteceu após a melhoria na capacidade de gravação e reprodução dos mesmos. A maior quantidade de faixas foi o catalisador da maior quantidade de produções originais, não só diferenciando os álbuns, mas incentivando a compra dos mesmos pelo público alvo.

Desta forma, inicialmente as versões ou mesmo covers de música não eram vistos como hoje em dia. Muitas vezes o artista poderia dar uma diferente interpretação para aquela música, porém era uma prática comum, eles não necessariamente buscavam se diferenciar pela originalidade do que estavam cantando, mas sim pela forma que cantavam e seu talento como interpretes. Essa prática veio mudar e ter uma nova forma de se apresentar mais próximo dos anos 80, quando os artistas, em busca da reaproximação com os antigos gêneros musicais e com suas influencias, tem a necessidade de regressar ou reviver a cultura de outras décadas mesmo com uma diferente versão da mesma música – os covers.

Atualmente os covers estão em ápice, inclusive com versões de músicas bastante novas por interpretes da mesma época. A diferença aqui é que as versões não são feitas apenas por artistas que iriam criar uma releitura, porém eles tentem inclusive recriar em um diferente gênero ou com uma diferente melodia uma música já existente.

Escute alguns na playlist abaixo:


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Hanna Pinheiro, DJ desde 2010 das grandes festas de rock de Fortaleza, destaque das noites da cidade com várias referências nos sons nacionais e também uma pesquisadora de musicas novas. Já foi DJ residente do Orbita Bar e DJ da Festa Fliperama. Atualmente tem residência no Berlinda Club.