Wind River | Resenha

Nos últimos anos, Taylor Sheridan vem ganhando notoriedade devido ao seu trabalho como roteirista, começando em 2015, com o "Sicário: Terra de Ninguém" e passando por "A Qualquer Custo", filme que concorreu ao Oscar de melhor roteiro original. No seu mais atual trabalho, Sheridan, além do roteiro, também foi o responsável pela direção, deixando evidente sua forte personalidade.

A trama de "Wind River" conta a história de Cory (Jeremy Renner), um experiente caçador que encontra o cadáver de uma garota na reserva indígena de Wind River. Esse fato atrai a agente federal Jane Bander (Elizabeth Olsen) para a região, com objetivo investigar o possível assassinato. Ela acaba pedindo ajuda a Cory, devido ao seu conhecimento da região.

Mesmo com uma filmografia curta, já podemos notar traços marcantes nos trabalhos em que Taylor Sheridan está envolvido e, até mesmo, fazer alguns paralelos entre suas obras. Personagens centrais com várias camadas, com uma forte dinâmica entre si, um ambiente opressor em volta deles e uma trama sisuda são alguns elementos presentes em seus roteiros.

Em Wind River, essas características podem ser localizadas na interação de mútua necessidade e cooperação de Cory e Jane. Ambos são mais do que parecem ser a princípio. Cory se mostra como uma figura inabalável, mas no seu passado há algo que o desmonta, o que deixa o personagem mais real. Já Jane, que a priori é tratada com desconfiança por todos os outros policiais e habitantes da região por ser mulher e demonstrar certa confusão e fragilidade, aos poucos se torna uma personagem forte e destemida. Essa progressão é gradual e bem construída.

Outro ponto bem desenvolvido é o cenário. Trocando as localidades áridas de seus filmes anteriores pela neve e frio de Wind River, o diretor foca ainda mais na opressão do ambiente em seus personagens. Utilizando planos abertos e câmeras subjetivas para passar um sentimento de solidão e abandono, que deixa a sensação de perigo eminente mais acentuada.

Além da investigação policial, o enredo ainda aborda alguns temas mais reflexivos como luto, a dor da perda de alguém e como isso modifica aqueles que ficaram. Além de mostrar a negligência para com o povo indígenas, que são retratados como um povo abandonado e sem esperança. Esses debates dão ao filme um quê a mais de importância.

Alguns elementos são inseridos no começo da obra e subitamente desaparecem por completo. A relação de Cory com o filho, por exemplo, que parece ser algo relevante para o desenvolvimento do personagem, mas em um momento da trama é cortado de cena bruscamente. Todavia, esse problema não afeta muito no quadro geral.

Wind River é uma produção potente, reflexiva e dotada de alguns momentos memoráveis. Taylor Sheridan prova mais uma vez que é um nome que merece atenção. E já é seguro dizer que, provavelmente, o veremos no próximo Oscar.