LONGE DO HYPE #13 - The Villainess (AK-Nyeo)

O mercado cinematográfico que circula fora do eixo hollywoodiano geralmente não é reverenciado ou consumido pelo espectador comum. Desta forma, distanciado dos multimilionários blockbusters, que bebem até se engasgar das fontes oriundas de revistas em quadrinhos e grandes fenômenos literários, vive o peculiar cinema asiático. Esteticamente rico, ousado e optando em se renovar de maneira cíclica, mas sempre apontando para suas origens. É neste cenário fértil, mais precisamente na Coreia do Sul, que nasce o mais novo expoente dos filmes de ação, o frenético THE VILLAINESS (AK-Nyeo).

O diretor Byung-gil Jung já havia trabalhado em Confissão de Assassinato, mas só agora conseguiu atrair os holofotes para si. Na sua nova fita, conseguiu gravar uma assinatura estilística poderosa e dar brilho ao roteiro mediano que dividiu com Byeong-sik Jung.

Consequentemente, assistimos hipnotizados a jornada de uma mulher comum que é engolida e transformada por uma tragédia pessoal. Um drama clássico sobre corrompimento que sempre estará permeando imaginário popular. O apreço por esse modelo de enredo é justificável porque sempre existirá o questionamento do “podia ser eu?”.

Aplaudido de pé por cinco minutos no Festival de Cannes de 2017, o thriller narra a história de Sook-he, vivida pela excelente Ok-bin Kim (Sede de Sangue), uma mulher doutrinada desde a mais tenra infância para ser uma máquina de matar. Na vida adulta ela segue em uma inquieta busca de vingança pela morte do pai e do marido, seu mentor e treinador nas artes mortais.

Uma premissa que já foi vista, mas que logo na primeira sequência do longa nos conquista com uma ação desenfreada em primeira pessoa, como em Hardcore Henry. Porém, aqui vemos o esmero que o realizador oriental tem com os elementos técnicos – as coreografias precisas, a câmera corajosa e acrobata, as sequências longas e sem cortes bruscos –, que surpreendem mesmo depois de assistirmos tantos irmãos de gênero. Conseguimos identificar elementos de La Femme Nikita, Kill Bill e outros similares, mas longe de qualquer arremedo depreciativo. É cinema vivo, jorrando sangue e com pitadas de melodrama novelesco coreano.

NOTA: 7 pintinhos apanhando para uma pintinha no corredor

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