1922 | Resenha

Um fazendeiro influencia o filho para que, juntos, possam assassinar sua esposa devido à uma disputa por herança.

"1222" trata-se de mais uma adaptação de uma obra de Stephen King. Dessa vez, de um conto homônimo, presente no livro “Escuridão Total Sem Estrelas”.

O foco da narrativa aqui não é tanto no assassinato, e sim em tudo que leva a esse fato.

O que leva alguém a tirar a vida do próximo? Quais as consequências desses atos? Essas duas questões permeiam todo o filme.

No centro dessa discussão, está a figura de Wilfred James, um homem que ama sua terra e tem como sonho viver dela e passá-la para seu filho. Porém, sua esposa Arlette, herdeira de uma porção de terra que aumentaria consideravelmente a fazenda de Wilfred, tem planos mais ambiciosos que vão de encontro aos desejos mais simples do marido.

A partir desse conflito é que Wilfred começa a mudar. O pacato fazendeiro começa a cultivar cada vez mais ódio pela esposa e, aos poucos, se transforma em uma figura violenta e manipuladora. Como ele mesmo diz:

Eu acredito que há outro homem dentro de cada homem. Um estranho. Um homem calculista.

Essa metamorfose é ainda mais impressionante devido ao excelente trabalho de Thomas Jane, ator que dá vida a Wilfred, e, de longe, o ponto mais alto da obra.

O clima de estranheza e tensão aumenta progressivamente com o passar do tempo. Muito disso vem da trilha sonora, que se torna gradativamente mais cacofônica, intensificando o sentimento de inquietação, e também por parte do trabalho do diretor Zak Hilditch, que leva as cenas de forma cadenciada, não apelando pra sustos baratos.

Essa cadência acaba passando do ponto no segundo ato, que é esticado em demasia, deixando a trama flertar com o tédio.

Durante todo o filme, temos narrações em off de Wilfred. Isso até poderia deixar mais pobre a película, todavia, o bom texto e a interpretação do ator transformam isso em algo positivo.

Mesmo com um segundo ato tedioso, “1922” é um filme competente, com algumas discussões interessantes a respeito da conduta humana, além de conter alguns momentos assustadores, configurando assim mais uma boa adaptação de uma obra do mestre do horror Stephen King.

  • Mackenzie Melo

    Que Stephen King é rei, não se discute. Infelizmente algumas das adaptações de suas histórias não parecem ser tão boas quanto as histórias originais. Mesmo assim, sempre vale a pena assistir. Verei!

    • Roberto Rudiney

      Eu li pouco Stephen King na vida. Quero ler mais.