LONGE DO HYPE #12 - Channel Zero – Candle Cove

Longe das produções mais robustas para a TV moderna está o canal SyFy. Uma ramificação da NBC Universal, cujo conteúdo é voltado para ficção científica, fantasia e horror. Suas produções de orçamentos moderados costumam não ser muito festejadas pela crítica especializada, mas acertam em cheio seu público-alvo em séries como Stargate - SG1, Doctor Who e Battlestar Galactica. Em 2016, atraiu mais uma vez a atenção dos espectadores com a antologia de horror Channel Zero.

O programa tem como fonte as creepypastas – lendas urbanas que permeiam os recantos mais obscuros da internet e geram questionamentos no imaginário popular sobre o que é ficcional ou não –, e a primeira temporada baseia-se em um programa infantil chamado Candle Cove, que supostamente condicionava a mente de crianças a fazer coisas estranhas.

A narrativa de Channel Zero gira em torno de Mike Painter, um famoso terapeuta infantil que resolve retornar a sua cidade natal para investigar o desaparecimento do seu irmão gêmeo, Eddie, 30 anos depois do acontecido. O lugar havia sido palco de uma sequência de assassinatos de crianças nos anos 80 e Eddie era, teoricamente, a única vítima não localizada. Um fato que sempre assombrou as memórias mais profundas de Mike, pois este acreditava piamente em uma ligação do show de TV que assistiam com as mortes e desaparecimento do seu irmão.

Ao regressar àquele cenário e reencontrar os amigos e desafetos de outrora, percebe que “Skin-Taker” está de volta às TVs, assediando agora uma nova geração de crianças.

A dinâmica da série de apenas seis episódios é cadenciada e com poucos momentos de tensão, embora atraente. O seis roteiristas regidos pelo criador Nick Antosca conseguem prender a atenção sem apelar para sustos fáceis ou soluções previsíveis, mantendo uma atmosfera de mistério amparada por flashbacks que sustentam o roteiro. Talvez o único e imperdoável erro do programa seja a escolha do limitado Paul Schneider como protagonista. Sua atuação varia entre o apático e inexpressivo. Mas para compensar, a irlandesa Fiona Shaw, Tia Petúnia de Harry Potter, brilha em todas suas aparições.

De acordo com certos fóruns na internet, Candle Cove era um show de piratas marionetes exibido entre 1970 e 1972, que apareceu na TV americana e sumiu de maneira abrupta. O fato misterioso é que algumas pessoas “enxergavam” o conteúdo macabro e outras não viam nada além de estática. Hoje em dia há quem aponte recordações detalhadas sobre o conteúdo e quem diga que tudo não passou de histeria coletiva.

NOTA: 6 pintinhos navegando para a Enseada da Vela.

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  • Mackenzie Melo

    Não curto o gênero de horror, mas curto muito o texto sempre bem escrito de Adams. Excelente resenha. P.s.: que foto de capa agoniante…

  • JP Martins

    A história original do Candle Cove foi criado pelo Kris Straub, dono do canal Chainsaw Suit, que tem uma ótima série de terror chamada Local 58 (canal 58 era o canal que supostamente passava Cancle Cove na história de Straub). Os vídeos do Local 58 são curtinhos e bizarros e exploram a linguagem de transmissões de emergencia e um tiquinho assim de foun footage. Recomendo demais.