Atômica | Resenha

Por Ana Louise

Charlize Theron. Atriz, produtora, modelo, vencedora de Oscar, ativista, mulher. E que mulher! Falar sobre o filme “Atômica” requer, antes de tudo, que Charlize Theron seja enaltecida por todas suas qualidades e por suas ações ao longo de sua carreira. Grande defensora dos direitos das mulheres, a atriz esteve sempre em busca de papéis que representassem todo o potencial de uma protagonista feminina, e assim Charlize foi apresentada à Lorraine Broughton.

Baseado na graphic novel “Atômica: A Cidade Mais Fria”, de Antony Johnston e Sam Hart, o filme segue a espiã do MI6 que tem como missão recuperar uma lista de agentes duplos que foi roubada durante o período da Guerra Fria, na véspera da queda do Muro de Berlim. Uma trama simples, com um plot visto já em vários filmes do mesmo estilo, como na franquia “Missão Impossível”, mas que surpreende positivamente ao não subestimar a capacidade do espectador de entender uma história de ação mais elaborada.

Falo isso pois minha expectativa para o filme estava centrada apenas em ver sequências de ações muito bem feitas, colocadas em uma história que não fizesse muita diferença. Mas recebi uma trama muito bem construída e cheia de detalhes, com cenas de ação ainda mais fantásticas do que o esperado.

O que leva ao próximo nome do longa: David Leitch. Com uma carreira extensa como dublê de ação, tendo trabalhado em filmes como “Sr. e Sra. Smith” e “O Ultimato Bourne”, Leitch começou sua carreira como diretor em “De Volta ao Jogo”, ou “John Wick” como é mais conhecido, o filme que ganhou grande fama por ter Keanu Reeves participando de sequências de ação extraordinárias.

Em “Atômica” ele não desaponta, entregando lutas muito bem coreografadas, e um elemento que deixa tudo mais real: todo mundo se machuca. Lorraine Broughton é uma grande lutadora, sim, e consegue derrubar homens bem maiores que ela, com sua técnica. Mas ela também apanha, e como! Em uma das sequências de luta mais angustiantes do filme, a espiã e o capanga da vez se batem tanto que em certo momento os dois estão cambaleando, cobertos de sangue, tentando encontrar uma forma de derrubar o outro.

Outro ponto positivo para o longa é a trilha sonora cheia de sucessos dos anos 80, inclusive hits alemães, como “99 Luftballons” da banda Nena. Nomes como New Order, Public Enemy, The Cure, Joy Division e Queen colocam este filme na lista das recentes obras que estão sendo bem sucedidas ao utilizar músicas famosas, como “Guardiões da Galáxia”, “Kingsman” e “Deadpool”.

Para Charlize Theron, há uma importância ainda maior em fazer um filme como esse. Assim como “Mulher-Maravilha” atraiu um grande público para os cinemas, tendo uma protagonista forte, mas também sensível, e sem deixar de lado a feminilidade, “Atômica” também mostra que as mulheres podem sim ganhar espaço nos filmes de ação.

E que venha mais personagens como Lorraine Broughton, Diana Prince, Furiosa, e Natasha Romanoff para chutar bundas na tela do cinema!

  • Charlize Theron S3. Que mulher! Bom saber que o filme corresponde a minha expectativa. Verei!