Mixtape #4: Nu Jazz

Vulgarmente chamado de New Urban Jazz, NU é um sufixo usado para modernização de estilos musicais que foram repaginados por novos artistas, porém não perderam sua essência. Muitas vezes o NU JAZZ é comparado como eletronic jazz ou neo-jazz. Muitos críticos consideraram por bastante tempo o NU JAZZ sendo o futuro da música nos próximos tempos. Há um quê que concordo aqui, pois existe uma fusão de elementos, estética, sonoridade que o indie não conseguiu perdurar – logo não englobou todos ¨segmentos¨ de ouvintes, enquanto o e-jazz tem combinação de batida, crescimento musical harmônico e um pouco de eletrônico, apenas o suficiente para manter interessante. Há um álbum que celebra o estilo musical lançado pela Universal que um dos artistas que está logo abaixo, participa, entre eles estão Stuart Nicholson, Wibutee, Wesseltoft, NoJazz, Ketil Bjornstad e outros. A grande falta notável no gênero, em algum lugar eles perderam aquela improvisação própria do jazz contemporâneo, porém conseguiram criar uma estética mais abrangente – normalmente os instrumentos musicais consoam criando uma acústica sentimental que não era possível na improvisação individual em coletivo – que se fazia no jazz. Tendo em vista que é um gênero novo, há uma grande representatividade e gama de diferentes artistas que muitas vezes nem se mostram parecidos entre si. Muitas bandas NuJazz também podem ser e vão ser caracterizadas como downtempo – mas downtempo será discutido em outra oportunidade.

The Cinematic Orchestra

O primeiro personagem dessa edição é um bem conhecido, inclusive por ter sido cotado em algumas trilhas sonoras de seriados recentes. Mesmo que você desconheça o nome – já escutou antes, provavelmente. Cinematic participou também do álbum produzido pela Universal, e é um exemplo perfeito para o que expliquei do gênero acima. Eles tem um senso de estrutura e composição que é intrínseco em sua música, se você perceber na track To build a Home há uma crescente harmônica que se é usada em músicas clássicas, quando se segue uma pentatônica e cria-se um elemento de elevação, é envolvente – por isso o termo acústica sentimental, pois impera e reverbera – cada uma das notas são significativas em momentos de "bridge", cada segundo da música é feito com um fervor de sentimentos. O vocal deixa bem a desejar qualidade em um todo, tirando na técnica e noção de alcance – o vocalista tem uma voz falha, mas isso dá até um pouco de sensação de ainda estar escutando um indie de banda de garagem, o que pode ser charmoso. Na segunda track aqui apresentada a mesma forma de organização musical é usada mas em forma de vocal, é notável a harmonia trabalhada no vocal que embala de forma envolvente.

To Build a Home

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To belive

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Parov Stelar

O segundo personagem dessa edição é um DJ conhecido, austríaco, que combina jazz com batidas de house e breakbeats ao longo de suas músicas. Parov Stelar é o nome artístico que Marcus Fureder adotou nos anos 90, também fundador do label Etage Noir (vale a pena dar uma pesquisada). Principalmente para quem gosta de coisas mais animadinhas – sobretudo pela sua música All Night, divergindo do primeiro que foi mostrado, ele traz o outro lado do NuJazz. A parte eletrônica, nem sempre up-beat como em All Night ou Booty Swing que foi a track que lhe garantiu sucesso, mas suas tracks são perceptivelmente influenciadas pelo jazz clássico, com sons orgânicos de instrumentos metálicos, variantes e inserções dos mesmos em tempos diferentes que criam um ambiente musical acelerado e animado dentro de suas tracks, além da notável linha de estruturação teórica em suas músicas, a harmonia segue sempre uma estética anteposta já no começo da música, e a melodia apenas embala. Porém por ser eletrônico ele acaba se caracterizando em outros gêneros como eletronic lounge.

Everything in my Heart

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Booty Swing

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Hanna Pinheiro, DJ desde 2010 das grandes festas de rock de Fortaleza, destaque das noites da cidade com várias referências nos sons nacionais e também uma pesquisadora de musicas novas. Já foi DJ residente do Orbita Bar e DJ da Festa Fliperama. Atualmente tem residência no Berlinda Club.

  • Mackenzie Melo

    Estou ouvindo To Build A Home no aeroporto, esperando meu irmão voltar de viagem. Que lindo ouvir a melodia dançar em minha mente enquanto assisto um pai voltando de viagem e abraçando a filha que o esperava… Sorri para eles, movido pela música, mas também pela emoção do reencontro. E agora o crescendo final dizendo, cheguei em casa… Linda música, linda escolha por acaso para momentos mágicos que representam a construção de um lar. Obrigado Hanna.

    • Hanna Pinheiro

      Essa música é tão… agregadora de sentimentos, né?
      Também tenho essa resposta emocional quando escuto. 🙂