Em Ritmo de Fuga (Baby Driver) - Resenha

Por Miguel Arcanjo

Uma verdade incontestável entre os amantes de música é: em vários momentos, quando você estiver ouvindo alguma música, ela vai sincronizar coma vida real.

Muitas pessoas utilizam músicas para aumentar a eficiência em suas atividades (como eu que estou fazendo agora mesmo, enquanto escrevo). Música é uma peça fundamental e maravilhosa para realização.

Dentre os amantes de música, um mundialmente conhecido é o diretor Edgar Wright, famoso por seus filmes autorais com um ritmo diferenciado, com uma montagem acelerada e músicas de altíssima qualidade. Mescla comédia com ação como poucos diretores no cenário atual conseguem. Em toda a sua filmografia, Wright sempre montou cenas em que a ação sincronizava com a música, nos dando momentos memoráveis como a batalha de bandas de “Scott Pilgrim contra O Mundo”. Seus filmes não só tem milhares de referências, eles mesmos são grandes referências. Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead) é uma grande homenagem ao recém falecido George Romero, Chumbo Grosso (Hot Fuzz) faz referencia aos filmes buddy cop e até ao já citado Scott Pilgrim, que é uma obra já clássica na cultura pop.

Essa é a fórmula para Em Ritmo de Fuga (Baby Driver) existir. Um diretor autoral, apaixonado por música, que faz constantes referências a cultura pop.

O filme conta a história de Baby (Ansel Elgort), um jovem que sempre está com os fones de ouvido e é motorista de fuga para um chefão do crime. Para realizar as fugas com maestria, ele confia sua direção à batida de sua trilha sonora pessoal. Ao conhecer Debora (Lily James), Baby passa a rever sua vida e pensar em sair do caminho do crime.

Com uma história simples, o roteiro se entrega ao desenvolvimento dos personagens, com poucos diálogos, e a montagem das cenas e a trilha sonora. Porque, não só nas perseguições, as músicas de Baby desenvolvem os personagens pela sua visão e iPods. Todas as 32 músicas da trilha sonora de Baby Driver foram escritas por Edgar Wright no roteiro do filme, logo todas são essenciais para o andamento do filme.

Em Ritmo de Fuga brilha, de fato, em sua montagem. Com duração de 112 minutos, o filme todo é sincronizado com a trilha sonora. Não existe um momento sequer que perca a sincronia. As cenas mais assustadoramente fantásticas são as de ação, em que músicas com batidas mais aceleradas são usadas, como “Neat Neat Neat” do The Damned. Ou até uma cena que toca "Focus", do Hocus Pocus, uma música conhecida por ter uma batida altamente variável.

O filme faz referências à várias perseguições do cinema, melhorando todas elas. Com uma fotografia muito inspirada e arriscada, vemos todo tipo de técnica ser usada para tornar essas cenas mais reais. E são, realmente, reais. Todas as cenas usaram de stunt drives. Nada de computação gráficas além de correção de imagem. Tudo real e na raça.

Ansel Elgort atua de maneira solta e fluída, provavelmente com muito improviso e um gingado que é bem valorizado na tela. Foi a escolha certa para o papel. Na interpretação dele conseguimos ver todo o ritmo do filme fluir.

No elenco temos também grandes nomes como Kevin Spacey, interpretando o mafioso para quem Baby trabalha, Jamie Foxx que faz um bandido maluco, Jon Hamm e Eiza Gonzáles que são um casal de ladrões apaixonados.

O filme é um presente para todos os apaixonados por música, principalmente os que ouvem dirigindo.

Nascido da música, cheio de ritmo e frenético. Uma obra única no mundo do cinema, como todos os filmes anteriores de Edgar Wright, e que só prova que devemos anotar o nome desse diretor que é certamente um dos mais inventivos no cinema atual.

  • Mackenzie Melo

    Vou assistir. E digo uma coisa, o filme deve ter acertado muito com os jovens, porque minha filha de 17 anos adorou o filme e veio falar comigo para eu ir assistir! Coisa raríssima de acontecer.